Prévia do PIB cai pelo 2º trimestre e indica risco de recessão técnica

No semestre, porém, indicador acumula alta de 0,62%; o ministro Paulo Guedes evitou comentar esse resultado

Felipe Menezes/MetrópolesFelipe Menezes/Metrópoles

atualizado 12/08/2019 10:43

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB), teve recuo de 0,13% no segundo trimestre na comparação com os três meses anteriores, informou o BC nesta segunda-feira (12/08/2019). Levantamento do Projeções Broadcast apontava mediana negativa de 0,40% para o indicador no período, com intervalo que ia de queda de 1,32% a taxa zero. Em relação ao mesmo segundo trimestre de 2018, houve alta de 0,85%.

Esse resultado indica a possibilidade de recessão técnica da economia brasileira: o PIB no primeiro trimestre ficou negativo e, tecnicamente, dois trimestres seguidos de queda na atividade econômica configuram recessão técnica.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, que participa nesta manhã de um seminário sobre a Medida Provisória 881, da Liberdade Econômica, no Supremo Tribunal Federal, evitou comentar o indicador.

Em junho, o IBC-BR teve alta de 0,30%, na série com ajuste sazonal, depois de avançar 1,10% em maio (dado revisado). Foi a segunda elevação registrada no governo de Jair Bolsonaro. O aumento ficou dentro do intervalo projetado pelos analistas do mercado financeiro consultados pelo Broadcast Projeções, que esperavam resultado entre -1,02% e +0,70% (mediana em +0,10%).

Na comparação entre os meses de junho de 2019 e junho de 2018, houve baixa de 1,75% na série sem ajustes sazonais.

O resultado foi de alta de 0,62% na série sem ajustes sazonais no acumulado do primeiro semestre e de 1,08% nos 12 meses encerrados em junho. A projeção atual do BC para a atividade doméstica em 2019 é de avanço de 0,8%.

Déficit primário/PIB
O Relatório de Mercado Focus trouxe manutenção na projeção para o resultado primário do governo em 2019. A relação entre o déficit primário e o Produto Interno Bruto (PIB) este ano seguiu em 1,30%. No caso de 2020, permaneceu em 1,00%. Há um mês, os porcentuais estavam em 1,40% e 1,00%, respectivamente.

Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2019 passou de 6,40% para um resultado também negativo de 6,25%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro. Para 2020, passou de um déficit de 6,05% para 6,00%. Há quatro semanas, estas relações estavam em 6,30% e 6,00%, nesta ordem.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros

Balança comercial
Os economistas do mercado financeiro alteraram a projeção para a balança comercial em 2019 na pesquisa Focus realizada pelo Banco Central, de superávit comercial de US$ 52,60 bilhões para superávit de US$ 52,00 bilhões. Um mês atrás, a previsão também era de um saldo superavitário em US$ 52,00 bilhões. Para 2020, a estimativa de superávit passou de US$ 47,43 bilhões para US$ 47,60 bilhões. Há um mês, também estava em US$ 46,60 bilhões.

Na estimativa mais recente do BC, o saldo positivo de 2019 ficará em US$ 46,0 bilhões. Esta projeção foi atualizada no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho.

No caso da conta corrente, a previsão contida no Focus para 2019 passou de déficit de US$ 21,50 bilhões para déficit de US$ 22,00 bilhões, mesmo patamar de um mês antes. Para 2020, a projeção de rombo foi de US$ 32,40 bilhões para US$ 32,50 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 31,23 bilhões.

O BC projeta déficit em conta corrente de US$ 19,3 bilhões em 2019.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário nos próximos anos. A mediana das previsões para o IDP em 2019 seguiu em US$ 85,00 bilhões, igual a um mês atrás. Para 2020, a expectativa foi de US$ 85,56 bilhões para US$ 85,28 bilhões, ante US$ 85,56 bilhões de um mês antes.

O BC projeta IDP de US$ 90,0 bilhões em 2019.

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