Número de famílias que pediram empréstimo cresce 22,5% em agosto
Em julho, 4 milhões de domicílios tinham ao menos um morador que pediu empréstimo. Em agosto, esse número passou para 4,9 milhões
atualizado
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O número de domicílios em que ao menos um morador solicitou empréstimo cresceu de 4 milhões em julho para 4,9 milhões em agosto, alta de 22,5%. A quantidade, registrada no último mês, equivale a 7,1% do total de residências.
Os dados foram divulgados nessa quarta-feira (23/9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte da pesquisa Pnad Covid-19, que tem sido publicada semanalmente em meio à pandemia de Covid-19.
Na mesma medida, a taxa das famílias que pediram e conseguiram o empréstimo cresceu de 81,1% em julho para 84,8% em agosto. Em 75% dos casos, o pedido foi feito a bancos ou financeiras e em 25%, a parentes ou amigos.
Ainda segundo o IBGE, entre os domicílios que solicitaram e não conseguiram empréstimos, mais da metade (57,5%) pertence às duas classes de rendimento mais baixas, com renda inferior a um salário mínimo (R$ 1.045).
O planejador financeiro CFP da Planejar Theo Linero relaciona a alta de pedidos de empréstimos com o endividamento da população em meio à atual crise, que deixou ao menos 2,2 milhões de brasileiros desempregados.
A afirmação do especialista é sustentada com os dados mais recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC): em agosto, 67,5% das famílias brasileiras estavam endividadas. A taxa é a maior já registrada em toda a linha da história.
O percentual de famílias com contas em atraso aumentou de 26,3% em julho para 26,7% em agosto, a maior proporção desde março de 2010. Em comparação a agosto de 2019, o percentual cresceu 2,4 pontos percentuais.
Quando pedir empréstimo?
Linero considera como “natural” o aumento registrado no número de famílias que pediram empréstimos, mas avalia que as pessoas, em muitos casos, podem recorrer a outras opções consideradas financeiramente mais saudáveis.
“Quando recorrer ao empréstimo? Deve estar entre as últimas alternativas”, responde o planejador financeiro. “A pessoa tem que entender que o empréstimo nada mais é do que o aluguel de um dinheiro que se paga com juros”, diz.
“Se a pessoa não tem outras fontes de renda, não tem nada considerado dispensável que se possa vender, não tem espaço para algum corte no orçamento e a demanda que se tem é inadiável, aí, sim, é hora de pedir um empréstimo”, afirma.
O especialista recomenda que o empréstimo seja feito caso, por exemplo, o devedor não consiga negociar com o credor para pagar uma dívida depois, o que poderia resultar em um juros ainda mais pesado no bolso.
Ele explica que o empréstimo não pode ser visto como uma fonte para itens de consumo. Logo, o primeiro passo é se perguntar se realmente é imprescindível. “Preciso? Posso? Devo? É realmente necessário agora?”, recomenda.








