“Nós vamos dar conta”, diz ministro de Lula sobre tarifaço de Trump
Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho afirmou que o tarifaço não provocará um “desastre total” no mercado de trabalho brasileiro
atualizado
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O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, avaliou, nesta quinta-feira (21/8), que o mercado de trabalho brasileiro está “adequado” e dará conta de lidar com os eventuais impactos causados pelo tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos.
“Não vejo com esse temor todo o impacto [do tarifaço] que venha a ocorrer [nos empregos no Brasil]. O mercado de trabalho brasileiro está adequado e nós vamos dar conta”, disse Marinho no programa Bom Dia, Ministro, da EBC.
Durante a declaração, o ministro citou um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que prevê, na pior das hipóteses, o fechamento de 320 mil postos de empregos no país.
“Se tudo desse errado, o impacto seria em ordem de 320 mil de desempregados no Brasil. Para um mercado com estoque de 48 milhões, convenhamos que não seria o desastre total. Então tem muito barulho. Evidentemente que tem alguns setores que são fortemente atingidos, outros são levemente atingidos e outros não são”, afirmou Marinho.
Ele reforçou que o Brasil vai “sair tranquilamente” do processo de implementação das tarifas unilaterais.
Marinho não vê EUA disposto a dialogar
Marinho reforçou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está aberto ao diálogo com os EUA para tentar reverter o tarifaço. Na análise dele, porém, a Casa Branca não demonstra disposição para negociar.
“Do ponto de vista comercial estamos abertos para conversar com os Estados Unidos na hora que quiser, até porque temos desvantagem nessa balança comercial. Não é o contrário como ele afirmou, de forma equivocada ou de má-fé”, disse.
Marinho destacou que a população norte-americana está “sendo sacrificada” com a alta dos preços no país, como o aumento dos valores da carne no país. “Espero que alguma hora isso [alta dos preços nos EUA] bata a sensibilidade do presidente americano para a gente voltar a discutir seriamente o assunto”, ponderou.
O ministro frisou que o governo brasileiro defende o diálogo e a negociação, mas ressaltou que há limites. “O presidente Lula tem dito isso que tem coisa que não se discute, não se negocia: soberania, agressão a instituições democráticas. O governo dizer que vai intervir no Supremo Tribunal Federal, não se discute. Está fora do nosso alcance”, declarou.
Ele acrescentou: “Percebemos que, até este exato momento, não há nenhuma vontade do governo americano de negociar, discutir. Na hora que quiser, estaremos inteiramente prontos e desejosos de fazer o debate comercial”.
Marinho ainda criticou a sanção comercial de Washington, classificando-a como uma ação de cunho político. “Quem vai discutir é o Judiciário, o caso do ex-presidente [Jair Bolsonaro], da família do ex-presidente. O governo federal não tem nenhum papel (…). Quem abusou vai responder. Se for condenado, tem que cumprir pena. É assim que funciona”, concluiu.
