INSS: veja quais são os benefícios mais negados em 2020 e como evitar o problema
Auxílio-doença representa 53,4% do total de benefícios indeferidos entre fevereiro e outubro deste ano

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) negou 3.311.615 benefícios entre fevereiro e outubro deste ano, marcado sobretudo pela crise da pandemia do novo coronavírus.
Desse total, 1.786.450 – 53,4%, ou seja, pouco mais da metade – são benefícios por incapacidade temporária (antigos auxílios-doença).
Foram indeferidos ainda 479.332 aposentadorias por tempo de contribuição, 385.721 aposentadorias por idade, 293.506 salários maternidade, 186.253 Benefícios de Prestação Continuada (BPCs) e 116.853 pensões por morte.
Por outro lado, o auxílio-doença é também o benefício com o maior número de concessões. De 3.843.851 requerimentos aceitos pelo INSS ao longo desses últimos nove meses, 1.687.537 eram benefícios por incapacidade temporária.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEsses números foram levantados pelo Metrópoles junto à plataforma de dados abertos da Dataprev. O mês de janeiro de 2020, excepcionalmente, não constava na base de dados disponibilizada.
A advogada Adriane Bramante, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), ressalta que o número de indeferimentos aumentou nesse período, enquanto o de concessões diminuiu.
No ano passado, 4.202.212 benefícios foram negados pelo INSS, o maior número, pelo menos, desde 2008. Se mantiver a média desses nove meses, 2020 vai bater um novo recorde.
“Talvez o INSS esteja mais exigente em relação aos requisitos a serem cumpridos”, avalia Adriane Bramante.
Além do auxílio-doença, ao menos outros dois benefícios apresentaram uma taxa de indeferimento maior que a de concessão: aposentadoria por tempo de contribuição e BPC a pessoas com deficiência.
No caso do BPC a pessoas com deficiência, a cada um benefício concedido, outros dois foram negados.
Como evitar
Especialista em direito previdenciário, o advogado João Badari, do escritório ABL Advogados, explica que o alto número de indeferimentos do auxílio-doença se deve porque o segurado, na maioria das vezes, não entregou os documentos corretamente.
Ele ressalta que não é a doença que garante o benefício por incapacidade temporária, mas, sim, a incapacidade para o trabalho.
“É o caso, por exemplo, de uma mulher que trabalha na fábrica de costura e está com problema de coluna. Ela tem que mostrar para o perito que o trabalho está agravando a saúde dela”, exemplifica Badari.
Dessa maneira, é importante apresentar não somente o atestado médico, mas também exames e relatórios que comprovem que o segurado está incapaz para o trabalho por causa de doença.
Já sobre a aposentadoria por tempo de contribuição, o especialista acredita que o número de indeferimento é alto justamente por causa da reforma da Previdência.
“Tivemos muitas pessoas que pediram a aposentadoria por medo, por receio da reforma. E, com o represamento dos benefícios, esses pedidos foram analisados somente agora”, complementa.
Logo, o primeiro passo para evitar o indeferimento é analisar se o segurado realmente tem condição de se aposentar.
“Se sim, é preciso verificar se o Cnis [Cadastro Nacional de Informações Sociais] está correto e se todos os vínculos constam lá; verificar se trabalhou de forma especial e se esse período vai ser convertido pelo INSS; e ver se os valores do salário de contribuição batem”, afirma.
“Então, tem que pagar toda essa documentação e mandar para o INSS, porque muitos casos são indeferidos por falta de documentos”, complementa.















