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Conhecida principalmente pelos restaurantes decorados com instrumentos musicais e objetos que já pertenceram a grandes nomes da música, a rede Hard Rock também tem uma operação de hotéis e resorts com previsão de inaugurar três unidades no Brasil, sendo duas até 2020. Presente em cidades como Punta Cana (República Dominicana) e Cancún (México), a empresa fechou contrato com o fundo brasileiro VCI, o qual captou R$ 300 milhões com emissão de debêntures (títulos de dívida) para dar o pontapé inicial do negócio no país. Nenhum dos estabelecimentos será em Brasília, ao contrário do anunciado pelo grupo no início do ano passado.

As duas primeiras unidades já estão com as obras em andamento, diz Samuel Sicchierolli, presidente do VCI. Serão erguidas na Praia de Lagoinhas (a 80km de Fortaleza) e na Ilha do Sol (localizada em uma represa na região de Londrina, no Paraná). Nesses dois casos, conta o executivo, o fundo adquiriu empreendimentos que passavam por dificuldades para terminar as obras. Um terceiro negócio, em Caldas Novas (GO), será construído do zero.

Embora o investimento nos resorts seja do fundo brasileiro, a Hard Rock fará a gestão dos hotéis. A ideia é garantir um padrão global. Segundo Sicchierolli, uma das dificuldades para colocar em pé a parceria com a rede americana foi justamente a padronização dos quartos e áreas comuns, a qual exigiu adaptações nas unidades que já estavam em construção.

O contrato com a Hard Rock vai representar um “salto” para o VCI no mercado hoteleiro. Até agora, o único projeto que o investidor havia montado é o Tryp by Wyndham, o qual opera dentro do Aeroporto Internacional de Guarulhos e não faz mais parte do portfólio do fundo. O objetivo, segundo Sicchierolli, é iniciar as vendas dos projetos dos resorts da Hard Rock entre maio e junho de 2018.

Em fevereiro do ano passado, a rede confirmou o interesse em se instalar em Brasília. Em nota, chegou a informar que o prédio contaria com 400 quartos, área externa com piscina e deck, mais de 1,5 mil m² destinados a eventos, além de um restaurante, um lounge na cobertura, spa e centro fitness. A unidade seria erguida próximo ao Aeroporto JK.

Planos de expansão
A chegada ao Brasil faz parte de um plano de rápida expansão da operação de hotéis e resorts da Hard Rock – nos países onde a lei permite, o grupo também abre cassinos anexos aos projetos de hospedagem.

Segundo o vice-presidente de desenvolvimento da Hard Rock Resorts, Todd Hricko, a empresa tem hoje 26 projetos em operação e fechou 35 novos contratos para novas unidades ao longo dos últimos três anos.

O objetivo da Hard Rock, explica Hricko, é chegar a 100 hotéis e resorts sob contrato até 2020. Por isso, ele diz existir espaço para a empresa abrir mais resorts no Brasil, tanto com o próprio VCI – que já tem um quarto projeto em gestação, em Natal – quanto com outros investidores.

Segundo fontes do setor, o início da operação por Lagoinhas, Caldas Novas e Ilha do Sol mostra que, pelo menos nesses três projetos, a Hard Rock Resorts está apostando no poder de atração da marca para ajudar a alavancar destinos ainda hoje relativamente desconhecidos – como Lagoinhas – ou de importância regional – como Caldas Novas e Ilha do Sol. Uma fonte do setor classifica os destinos como secundários, sem o poder de atração do Rio de Janeiro ou de capitais do Nordeste.

Expansão
Por outro lado, a Hotel Invest, empresa que faz pesquisa e desenvolvimento na área de hospedagem, pondera sobre o “boom” atualmente vivido pelo mercado de resorts no país, beneficiado pelo câmbio do dólar ao redor de R$ 3,30, o qual deixa as viagens internacionais mais caras para os turistas brasileiros.

Segundo Diogo Canteras, sócio da Hotel Invest, a taxa média de ocupação dos resorts no Brasil, hoje, está em 64%. Como esses empreendimentos têm flutuação sazonal, isso quer dizer que a ocupação na alta temporada é próxima de 100%. “O time share, que é a venda antecipada de hospedagem, dá fôlego adicional a esse setor. E é algo que a Hard Rock já faz lá fora”, diz o especialista.

A recuperação do setor ajudou a Previ (fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil) a vender, em novembro, a deficitária operação do resort Costa do Sauípe, na Bahia, para a Termas do Rio Quente, por R$ 140 milhões. (Com informações da Agência Estado)