“Haddad não fará grandes experimentalismos econômicos”, diz Perfeito

Para o economista André Perfeito, Lula não arriscará mais que o necessário na agenda econômica para não ameaçar a eleição do PT em 2026

atualizado 09/12/2022 13:18

Divulgação

Como já era amplamente esperado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou, nesta sexta-feira (9/12) Fernando Haddad para o Ministério da Fazenda do seu próximo governo.

Haddad, que é mestre em economia, mas é visto como um nome do bojo político, terá pela frente o desafio de equilibrar as promessas de campanha de Lula de concessão de benefícios sociais com um orçamento público que não tem recursos para grandes manobras em 2023.

Até aqui, o que o mercado precificou foi uma balança que penderá para o lado de despesas maiores, em detrimento de uma política fiscal mais responsável. Foi essa a principal razão do pessimismo dos investidores em relação ao nome de Haddad.

Para o economista André Perfeito, embora a indicação desagrade, o nome de Haddad poderia ser mais uma garantia de que Lula “não fará grandes experimentalismos no campo econômico”.

“A razão para isso é simples. É público o esforço de Lula em empoderar Haddad e fazer dele seu sucessor direto já em 2026, uma vez que a idade avançada do presidente deve frustrar a perspectiva de um segundo mandato”, analisa Perfeito.

O risco de colocar em xeque a continuidade do PT no poder, a exemplo do que fez a política econômica heterodoxa de Dilma Rousseff em seu segundo mandato, deverá garantir uma postura moderada do novo ministro da Fazenda.

[Lembrando que será um] governo que tem um leque bem grande de alianças e que poderia gerar muitos ‘herdeiros’ para a  disputa de 26″, ressalta o economista.

Perfeito pondera, no entanto, que não há garantias de que a política econômica sob Haddad será bem-sucedida e que o Brasil crescerá tanto quanto Lula tem prometido, mas ao menos é uma indicação de que o mercado está precificando um risco que, por ora, não é concreto.

Ele lembra que circulou nesta semana uma notícia de que a equipe de Lula teria procurado o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para sondá-lo para um novo mandato à frente da autoridade monetária.

Campos Neto foi um dos primeiros nomes indicados por Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro, ainda na fase de transição de governo, em 2018.

O fato de Lula (e possivelmente Haddad) apoiarem a recondução do economista ao cargo de presidente do BC seria mais um sinal do “centrismo econômico” de Lula, diz Perfeito.

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