Entenda medidas de Haddad para atingir meta fiscal e destravar LDO

Para fechar as contas públicas, Haddad afirmou que o governo enviará dois projetos de lei para apreciação do Congresso Nacional

atualizado

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O governo federal decidiu dividir em mais de um projeto o pacote de medidas para elevar a arrecadação e reforçar o ajuste fiscal. A estratégia, anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, busca driblar resistências no Congresso Nacional e abrir caminho para a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, travada enquanto o governo não demonstra como pretende equilibrar as contas públicas.

Segundo Haddad, a equipe econômica vai dividir as propostas em dois projetos de lei principais, com possibilidade de incluir outros em etapas posteriores. A expectativa é recuperar mais de R$ 20 bilhões em receitas até o fim do próximo ano, segundo o ministro.

Um dos projetos será voltado a despesas e ao controle de gastos públicos, e outro tratará do aumento de arrecadação, como a taxação de bets e de fintechs.

Os projetos, segundo interlocutores, já foram enviados à Casa Civil e agora passam por tramitação técnica.

O que o governo vai reapresentar

Na semana passada, o ministro havia dito que existiam partes da Medida Provisória (MP) alternativa ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que eram incontroversas, ou seja, de comum acordo com os líderes e que poderiam ser reapresentadas.

De acordo com ele, as medidas poderão ser incorporadas a outras matérias que estão pautadas no Congresso, com o objetivo de dar mais agilidade ao processo.

As medidas que voltarão ao Congresso tratam de mudanças tributárias e revisão de benefícios concedidos a empresas. Veja os principais pontos:

  • Alterações no Imposto de Renda das empresas: a Fazenda quer rever o uso dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) e discutir a tributação de lucros e dividendos, temas que já enfrentaram resistência de parte do Congresso e do setor privado.
  • Regras para fintechs e bancos digitais: o governo pretende aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para equiparar a carga tributária das fintechs à das instituições financeiras tradicionais.
  • Corte de despesas obrigatórias: o ministro já havia falado sobre revisão de cadastros, como é o caso do seguro defeso e a inclusão do Pé-de-Meia no piso da educação.
  • Apostas e jogos online: a tributação das “bets” e o ajuste de alíquotas para o setor devem entrar em uma segunda fase do pacote, com mudanças em incentivos de investimentos, como as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCI e LCA).

Não se sabe, contudo, como as medidas estão organizadas em cada projeto e se haverá medidas adicionais aos textos.

Decisão de dividir a medida

Com a queda da MP, enviada ao Congresso e não votada antes do prazo de validade, o governo precisa buscar novas fontes de arrecadação para fechar o orçamento de 2026, que já contava com os valores previstos na MP.

Diante disso, o governo avaliou que a melhor forma de apresentar as novas medidas seria “fatiar” e dividir o que trata sobre receita e o que trata sobre despesas, com o objetivo de facilitar a tramitação no Legislativo.

Além disso, a decisão visa destravar o calendário fiscal, considerando que a LDO do próximo ano ainda está parada na Comissão Mista de Orçamento (CMO).

Emendas parlamentares

Haddad afirmou que conversou com os presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), respectivamente, e apresentou quais são as consequências práticas caso os ajustes não sejam aprovados, com necessidade de contingenciamento e bloqueio de recursos públicos.

O titular da pasta federal disse, ainda, que o corte nas emendas parlamentares poderia ser superior a R$ 7 bilhões, o que impactaria diretamente a popularidade do governo entre os congressistas, já que 2026 é um ano eleitoral, e as emendas são fundamentais para as campanhas.

  • Tecnicamente, bloqueio e contingenciamento são duas coisas diferentes, embora geralmente usadas como sinônimos, por significarem retenção de gastos públicos. Enquanto o contingenciamento é feito quando há frustração de receitas, o bloqueio ocorre quando as despesas, principalmente as obrigatórias, crescem muito. Portanto, o contingenciamento é feito para não estourar a meta fiscal, e o bloqueio tem a finalidade de cumprir o teto de gastos.

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