Greve dos Correios: pequenos negócios estudam alternativas para entregas

Estatal afirma que a adesão à paralisação é baixa. Mesmo assim, algumas empresas estão à procura de outras formas de envio

atualizado 11/09/2020 21:57

Reprodução Pinterest

Que o e-commerce está sendo o aliado de muitas pessoas durante esta pandemia é fato. De acordo com dados divulgados pelo PayPal, empresa de pagamentos on-line, o número de lojas virtuais no Brasil cresceu 40,7% de agosto de 2019 até agosto 2020. Mas o que deveria ser fácil e rápido está gerando transtornos para muitos brasileiros desde o dia 18 de agosto, quando funcionários dos Correios anunciaram greve.

A paralisação foi motivada pela anunciada privatização da estatal e, de acordo com os funcionários, pela “negligência com a saúde dos trabalhadores” na pandemia. Os grevistas também pedem que direitos trabalhistas sejam garantidos.

Mariana Reis de Almeida, dona da marca Concha e Folha, que tem sede em Vila Velha (ES), diz que um problema recorrente com a paralisação dos Correios é o atraso nas entregas: “O que aconteceu muito na pandemia com o aumento nas vendas on-line”, diz.

Ela também afirma que conta com uma franquia dos Correios para fazer toda a sua logística. Para ela, esse método que a empresa tem de recolher os produtos é incrível, mas um ponto que deixa a desejar é a comunicação.

“O sistema é muito defasado. Quando atrasa é difícil ter alguma informação. De vez em quando a gente sofre com atrasos. Os consumidores foram bem compreensivos com os atrasos, mas o que chateia é não saber a data de entrega e não saber o motivo da demora”, alerta.

“Tem o site que dá para rastrear a encomenda. Eles têm um sistema de ouvidoria, mas é difícil ter um retorno”, afirma Mariana.

Bike como opção

Já Leandro Pinheiro e Priscila Borges, donos da Bhava Biocosméticos, afirmam que desde o início da marca eles optam por outras formas de logística sem ser os Correios.

A empresa, que surgiu em um momento de transição ao mudar da capital São Paulo para uma ecovila na Serra da Mantiqueira, no interior do estado, conta como principal pilar a sustentabilidade: “Temos um sistema de entrega de bike que utilizamos na capital. Funciona superbem, além de ser mais rápido e ecológico”.

E para entregar para todo o Brasil os produtos totalmente veganos, o casal optou por outra transportadora chamada Jadlog. ” Essa empresa tem mostrado um trabalho bem interessante no Brasil, tanto quando o assunto é custo-beneficio quanto rapidez na entrega”, diz Leandro.

Responsabilidade afetiva

“Quando percebi que iria ter uma greve já fui dando uma olhada em outras transportadoras, já que eu dependo muito desse serviço”, conta Maria Thereza Macedo, dona da marca de roupa Empooderas, com sede no Rio de Janeiro.

Ela, porém, afirma que concorda absolutamente com a greve: “Sempre falo para os funcionários de lá: o Brasil só não parou, agora na quarentena, por conta de vocês”.

“Existe uma plataforma que se chama Melhor Envio e eu já corri para eles, para ver como faria contrato. Mas ainda estou usando os Correios e acompanhando as encomendas e está dando tudo muito certo”, diz Maria.

Ela ainda relata que decidiu que ainda não irá acionar a transportadora. ” É mais caro, é um valor que não dá para repassar para o cliente, acaba que eu tenho um prejuízo”.

Outras possibilidades

O analista de inteligência de mercado do Sebrae Ivan Tonet sugere que o dono de uma empresa de e-commerce dê mais atenção aos processos que envolvem a logística e o transporte da empresa. Para ele, é fundamental que os responsáveis conheçam as possibilidades de serviços de transporte e entrega existentes no mercado.

“Já existe um movimento das grandes empresas no sentido de buscar alternativas além dos Correios, mas entre os pequenos negócios ainda não é uma realidade disseminada, principalmente em localidades mais isoladas do país, onde apenas os Correios conseguem chegar”, ressalta o analista.

Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm) apontou que os gastos com frete representam 65,9% dos custos logísticos das empresas que atuam na internet.

“Boa parte da satisfação do cliente dependerá da logística. A qualidade da entrega de um produto adquirido pela internet, aliada à experiência de compra, faz toda a diferença. e nem sempre é simples garantir isso, sobretudo no que se refere ao tempo”, explica Tonet.

O Sebrae também recomenda que o empresário utilize os chamados comparadores de frete, que simulam os serviços oferecidos pelas principais empresas.

O que dizem os Correios

Os Correios enviaram uma nota afirmando que permanecem servindo à população e trabalhando para minimizar os efeitos da paralisação parcial dos empregados.

A empresa também informou que realizou mutirão para entregar de mais de 1,2 milhão de cartas e encomendas em todo o país. A ação, uma das iniciativas do plano de continuidade da empresa, contou com o reforço de empregados da área administrativa e de veículos extras, e também possibilitou a triagem de 4,7 milhões de objetos postais.

A companhia divulgou que, de acordo com sistema de monitoramento da empresa, a adesão ao movimento paredista é baixa.

“A empresa aguarda o retorno de parte dos trabalhadores que aderiram à paralisação parcial o quanto antes, cientes de sua responsabilidade para com a população, já que agora toda a questão terá seu desfecho na justiça”, finaliza a empresa.

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