Greve dos caminhoneiros: donos de postos dizem não poder reduzir lucro

Em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara, representantes da Fecombustíveis alegaram que o setor vive "crise absoluta"

atualizado 23/05/2018 14:51

Daniel Ferreira/Metrópoles

Em meio aos protestos de caminhoneiros devido à alta dos preços dos combustíveis e às tentativas do governo de mitigar o problema, o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda, afirmou que não há “a menor chance” de reduzir a margem de lucro mantida pelos postos de gasolina. O valor representa atualmente cerca de 12% do valor final.

De acordo com a entidade, a diminuição nos preços nos últimos dois dias nas refinarias e o anúncio do governo de retirar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o diesel não devem gerar grande impacto no valor cobrado nas bombas. O órgão participa nesta quarta-feira (23/5) de uma audiência pública a respeito do tema na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

“O setor vive hoje uma crise absoluta. A distribuição teve um aumento maior do que conseguimos passar para o consumidor nos postos de gasolina. Não há a menor chance de desprender mais a margem do jeito que está”, declarou Miranda. Segundo a federação, do ano passado para cá, a Petrobras realizou 114 aumentos com média de 1,28% e 88 reduções com média de 1,19%.

A estatal controla hoje o monopólio do refino de petróleo no Brasil. Desde julho de 2017, a empresa adotou uma nova política de preços. Com o método, os valores dos combustíveis são reajustados diariamente com base no custo do barril do petróleo e nas variações cambiais.

Representante da Petrobras na audiência, Flávio Santos afirmou que a estatal tem “pouca margem de manobra” sobre o preço final da gasolina repassado aos consumidores. “Se você encher o seu tanque com R$ 300, a Petrobras só recebe R$ 96 desse total”, explicou.

Alta dos preços
A gasolina é alvo de sucessivas subidas de preço desde dezembro de 2017. De lá para cá, o aumento já chegou a um acumulado de 3,85%, segundo a Petrobras. Os reajustes são resultado de uma nova política adotada pela estatal em julho do ano passado.

Com o pico no valor do dólar e do valor do barril do petróleo, os valores dos combustíveis dispararam. No Distrito Federal, a média do preço cobrado pelo litro da gasolina é de R$ 4,24, conforme dados mais recentes da Agência Nacional de Petróleo (ANP). O valor é 173% mais caro do que quando o derivado do petróleo sai da refinaria, a R$ 1,55.

Protestos
O aumento dos preços provocou uma série de protestos de caminhoneiros desde o início da semana em pelo menos 22 estados. Entre eles, Bahia; Espírito Santo; Goiás; Maranhão; Mato Grosso; Mato Grosso do Sul; Minas Gerais; Pará; Paraíba; Pernambuco; Rio de Janeiro; Rio Grande do Sul; Rondônia; Santa Catarina; São Paulo; Sergipe e Tocantins. A manifestação segue nesta quarta-feira (23).

DOUGLAS MAGNO/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO
Caminhoneiros protestam contra a alta dos preços dos combustíveis desde o início da semana

 

No Distrito Federal, eles se concentram no Entorno, onde estão com caminhões parados. Conforme informou o Sindicato do Comércio Atacadista do DF (Sindiatacadista-DF), pelo menos 10 empresários do DF enfrentaram problemas nessa terça (22) decorrentes da paralisação. De acordo com relatos, alguns carregamentos não chegaram da indústria e mercadorias não alcançaram clientes do comércio varejista.

 

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