Gastos com PMs e bombeiros inativos superam os de ativos em 14 estados

Texto-base da reforma da Previdência não incluiu essas duas categorias. Medida impopular pode comprometer eleições de 2020

Ednilson Aguiar/ O LivreEdnilson Aguiar/ O Livre

atualizado 08/07/2019 11:43

Os gastos com policiais militares e bombeiros inativos superam as despesas com os servidores ativos em 14 das 27 unidades da Federação, segundo levantamento do economista Pedro Nery. No Rio Grande do Sul, por exemplo, esse percentual chega a 71%. As informações são do jornal O Globo.

O resultado do estudo coloca em xeque o futuro de categorias da segurança pública. O texto-base da reforma da Previdência, aprovado na última quinta-feira (04/07/2019), deixou nas mãos dos estados e municípios a busca por uma solução para o déficit das aposentadorias desses servidores.

O gasto dos estados com PMs e bombeiros representa de 20% a 30% das despesas dos entes federados com a folha de pagamento total. “O país é violento e tem uma população jovem, mas da metade dos estados já gasta mais da folha de segurança com os inativos do que com os policiais em atividade“, explica o economista.

“Esse cenário dificulta a própria melhoria da remuneração porque os gastos com inativos e pensionistas são atrelados, por conta da paridade (reajustes iguais aos de quem está na ativa), e os valores são maiores, por conta da integralidade (benefício igual ao salário da ativa)”, complementa Pedro Nery.

Para governadores, portanto, a ausência na proposta de regras para PMs e bombeiros é preocupante, tendo em vista que muitos estados estão em crise fiscal. A princípio, a equipe econômica de Paulo Guedes apostava que os governadores convenceriam parlamentares a manter esse ponto na reforma. Por ser uma medida impopular, no entanto, eles recuaram diante das eleições de 2020.

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