Fundo de pensão da Petrobras barra recuperação judicial da Sete Brasil
A empresa esperava sensibilizar o governo para a necessidade de fechar o acordo e evitar a demissão em estaleiros onde já estão em obra seis embarcações

O fundo de pensão da Petrobras, a Petros, atuou em defesa da sua patrocinadora para evitar que a empresa Sete Brasil entre com pedido de recuperação judicial e, assim, pressione a Petrobras para fechar contrato de construção e operação de embarcações que serão instaladas no pré-sal, segundo fonte a par das negociações. A discussão sobre o pedido de recuperação começou a ser tratada na última segunda-feira (18/1), em reunião dos sócios, entre eles a Petros, e prosseguiu até esta terça (19). Ao fim do dia, a proposta foi derrubada.

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Ver todasContra a Sete Brasil ainda pesam as denúncias de corrupção que vieram à tona na Operação Lava Jato. O receio de assinar contrato com uma fornecedora envolvida em escândalos de desvio de recursos está levando o pessoal técnico da Petrobras a postergar indefinidamente as negociações, disse a fonte. Por isso, a proposta de alguns dos sócios de entrar com o pedido de recuperação judicial e forçar a petroleira a concluir o acordo, antes que o semestre se encerre e o dinheiro de custeio se esgote.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesHá 14 meses a empresa não paga estaleiros, carrega dívida de R$ 14 bilhões com bancos, que se somam aos R$ 8,3 bilhões investidos sem retorno.
Na reunião desta terça, os sócios Petros e Santander argumentaram que a recuperação judicial apenas pioraria a já frágil condição financeira da Sete Brasil, que não possui ativo para negociar com credores. A Petrobras e o FI-FGTS se abstiveram, alegando conflito de interesse. Os demais sócios são os bancos Bradesco e BTG Pactual e os fundos de pensão da Vale (Valia), Caixa Econômica (Funcef) e Banco do Brasil (Previ).
A aprovação da recuperação dependia do voto favorável de 85% dos cotistas do fundo de investimento controlador, o FIP Sondas. Sem a adesão, a proposta não poderá mais ser levada à assembleia de acionistas que acontecerá quinta-feira, 21, como planejado. Mas há chance de o tema voltar a debate daqui a um mês.



