Endividamento e inadimplência batem recorde em julho, aponta CNC

Levantamento divulgado nesta segunda-feira (8/8) revela que o índice voltou a subir e atingiu 8 em cada 10 famílias brasileiras

atualizado 08/08/2022 13:48

pessoa fazendo contas cartão de crédito Getty Images

O endividamento e a inadimplência atingiram níveis recorde no mês de julho, conforme levantamento divulgado nesta segunda-feira (8/8), pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Após três meses em queda, o índice voltou a subir no mês passado e atingiu 78% das famílias brasileiras, maior número registrado nos últimos 12 anos.

A proporção de brasileiros com contas ou dívidas em atraso atingiu 29%, o patamar mais alto desde 2010, início da série histórica.

Os dados integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O percentual de endividamento nos lares brasileiros apresentou um aumento de 0,7 pontos percentuais em julho, em comparação com o mês anterior. No caso da inadimplência, o aumento foi de 0,5 ponto percentual, também em relação a junho.

A alta dos indicadores de inadimplência, após queda nos meses de abril, maio e junho, indica que as medidas extraordinárias de suporte à renda, como os saques extras do FGTS e a antecipação do 13º salário aos beneficiários do INSS, aparentemente tiveram efeito momentâneo no pagamento de contas ou dívidas já atrasadas, concentrado no segundo trimestre deste ano”, analisa o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

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Sem perspectiva de melhora

A pesquisa da CNC mostrou também que houve leve crescimento, de 10,6% para 10,7%, na parcela das famílias que afirmam que não terão condições de pagar as contas atrasadas.

O grupo é composto, principalmente, por consumidores que não concluíram o ensino médio (13%), que também foram os que mais precisaram atrasar pagamentos no próprio mês de julho (33,3%).

Queda nos financiamentos

Outro destaque da pesquisa relacionada ao mês passado é a queda do número de financiamentos de automóveis ou da casa própria. O percentual de famílias que pagaram prestações de financiamento de carros caiu de 12,6% para 10,6%; e no caso dos que arcavam com parcelas de casas, o dado passou de 9,7% para 7,6%.

A CNC aponta como um dos motivos para o menor uso de crédito de longo prazo o crescimento das taxas de juros, que aumentaram em média 5,8 pontos percentuais em um ano, para carros, e 2,8 pontos percentuais, no caso da aquisição de imóveis pelas pessoas físicas.

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