Em cautela com nova Previdência, dólar sobe 0,75% e fecha em R$ 3,77
Na parte da tarde, a moeda norte-americana chegou a desacelerar o ritmo de alta, mas não conseguiu se manter no terreno positivo
atualizado
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O mercado de câmbio teve novo dia de cautela, que empurrou o dólar para R$ 3,77 na máxima da sessão desta quinta-feira (21/2). Nas mesas de operação, preocupações sobre a tramitação e as negociações da reforma da Previdência no Congresso pesaram nos negócios.
O fortalecimento do dólar no exterior também contribuiu para manter as cotações pressionadas no mercado local, marcado por forte volume de negócios. O dólar à vista fechou com valorização de 0,75%, a R$ 3,7598, e o real foi a moeda de país emergente que mais perdeu valor nesta quinta ante o dólar.
Na parte da tarde, a moeda norte-americana chegou a desacelerar o ritmo de alta, segundo operadores, por conta de recursos externos que entraram em busca de oportunidades na bolsa. Mas o tom de cautela acabou predominando, e a própria bolsa não conseguiu se manter no terreno positivo.
“Permanecemos cautelosos e vemos o real sob pressão de depreciação no curto prazo”, avalia a analista de moedas do Commerzbank, You-Na Park. Essa pressão pode levar o dólar a testar os R$ 3,90 nos próximos meses, prevê ela.
Uma das razões para a prudência com a reforma da Previdência é que o texto tem medidas impopulares e os parlamentares certamente vão exigir abrandamento das regras para votar a proposta. “A estrada até a aprovação final provavelmente terá solavancos”, ressalta ela, destacando que um dos riscos é que aprovação venha mais tarde do que o mercado espera.
Os analistas do banco de investimento americano Brown Brothers Harriman & Co. (BBH) ressaltam que o dólar seguiu influenciado pela visão de que a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) veio menos ‘dovish’ do que o esperado.
O documento divulgado na quarta-feira alertou para o aumento de riscos de desaceleração da economia mundial. Nesta quinta, vários indicadores da economia americana – como vendas de moradias, PMI industrial, índice de atividade regional do Fed da Filadélfia e encomendas de bens duráveis – vieram mais fracos que o previsto e ajudaram a manter o clima de aversão ao risco. Na Europa, o PMI industrial da zona do euro caiu para 49,2, registrando a mínima em 68 meses.
