Em campanha contra desigualdade, governo publica estudo sobre renda

Um estudo divulgado nesta sexta-feira (29/8) mostra que os milionários brasileiros concentram mais de 27% da renda total do país

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
O ministro da Fazenda Fernando Haddad discursa durante evento de assinatura do Plano Brasil Soberano Metropoles
1 de 1 O ministro da Fazenda Fernando Haddad discursa durante evento de assinatura do Plano Brasil Soberano Metropoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O estudo “Novo Retrato da Desigualdade e dos Tributos Pagos no Brasil”, divulgado pelo Ministério da Fazenda, mostra que os brasileiros mais ricos, que representam 1% da população, concentram 27,4% da renda total e têm alíquotas efetivas de Imposto de Renda menores do que o restante da população, de 20,6%, enquanto o brasileiro médio paga 42,5%.

O levantamento, de autoria de um grupo de economistas brasileiros e internacionais, leva em consideração quem recebe mais de cerca de R$ 5,5 milhões de renda anual. Para o pesquisador afiliado ao EU Tax Observatory Theo Ribas Palomo, muito da discrepância das alíquotas pode ser explicado pelos benefícios tributários recebidos pelos mais ricos.

“Sobre a tributação do lucro econômico das empresas, o que o estudo mostra é que empresas que estão na parte inferior da distribuição se beneficiam de regimes simplificados e alíquotas marginais baixas, já no grupo de empresas que estão no topo da distribuição, as baixas alíquotas são explicadas por uma série de incentivos e benefícios ficais que se concentram em empresas com elevado faturamento”, disse a auditora-fiscal da Receita Federal Luciana Barcarolo.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Congresso Nacional está debruçado sobre o tema da desigualdade e que o tema deve avançar. “Eu tenho muita convicção de que, com exceção de um grupo mais extremado de parlamentares, o bom sendo há de prevalecer para que o Brasil inicie uma trajetória de desenvolvimento sustentável”, disse.

O estudo aponta, ainda, que a estrutura tributária do Brasil é regressiva. O artigo apresenta a primeira estimativa da alíquota efetiva total dos diferentes grupos da população, considerando todos os tributos pagos em todos os níveis de governo: consumo, renda, empresas, contribuições previdenciárias. De acordo com o texto, a maioria dos grupos de renda paga uma alíquota efetiva média entre 45% e 50%, refletindo o alto peso dos tributos sobre consumo.

“No entanto, os milionários em dólar — isto é, adultos que ganham pelo menos US$ 1 milhão por ano (ou cerca de R$ 5,5 milhões), em linhas gerais o 0,01% do topo da distribuição — pagam apenas 20,6% de sua renda em tributos. A alíquota efetiva dos brasileiros que recebem mais de US$ 1 milhão é baixa em perspectiva internacional.

“Nos Estados Unidos (um país com carga tributária como percentual do PIB inferior à do Brasil), pessoas com mais de US$ 1 milhão de renda pagam, em média, cerca de 36% de sua renda em tributos” diz o texto.

Uma das agendas do ministro Haddad é a justiça tributária. Ele já avaliou em diversas ocasiões que não é certo que o “andar de cima não pague condomínio”. O Congresso Nacional analisa um projeto de lei enviado pelo governo para isentar do Imposto de Renda (IR) pessoas que recebam até dois salários mínimos e fixar uma alíquota de 10% os mais ricos.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?