A Reforma da Previdência enviada pelo governo do presidente Michel Temer ao Congresso Nacional vai mexer com a vida dos brasileiros e vem causando polêmica. O texto, protocolado na Câmara dos Deputados como PEC 287 e já acatado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, estipula a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de homens e mulheres. O tempo mínimo de contribuição para ambos poderá ser de 25 anos.

As medidas afetam funcionários dos setores público e privado, exceto militares, e compõem a principal aposta do governo federal para conter o déficit da Previdência Social. Segundo estimativas do Planalto, o rombo já chega aos R$ 150 bilhões. A expectativa do Executivo é de que as mudanças resultem em uma economia de R$ 678 bilhões, entre 2018 e 2027.

Professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), Luís Eduardo Afonso diz que a reforma vai ter um impacto na vida e no planejamento dos brasileiros, mas é necessária.  “Não existe outra alternativa”, ressalta.

A medida vai afetar a todos. Mas alguns serão mais atingidos que os os outros, como aqueles que têm entre 30 e 40 anos. Isso porque a proposta do governo atrela a aposentadoria à expectativa de sobrevida dos trabalhadores. Esse grupo, portanto, deve se aposentar com mais de 65 anos.

Já os homens que tiverem 50 anos na época da promulgação da medida e as mulheres com 45 anos entrarão nas regras de transição, caso a proposta passe do jeito que foi encaminhada pelo governo. Com isso, terão de pagar um pedágio para a Previdência, se quiserem se aposentar.

Confira o exemplo de homem de 50 anos e 30 anos de contribuição. Pelas regras atuais, ele teria que trabalhar mais cinco anos para ter uma aposentadoria integral. Pelas normas que estão sendo discutidas no Congresso, precisará trabalhar 50% a mais desse tempo, ou seja, 7,5 anos.

E quem tiver 49 anos, no caso dos homens, e mulheres de 44 anos não entrarão nesta regra de transição. Portanto, terão de trabalhar até os 65 anos para então se aposentar. “Se as medidas tivessem sido tomadas de forma gradual, ao longo do tempo, o remédio não seria tão amargo”, destaca o professor da USP.

Ainda não há previsão de quando o tema será votado no Congresso Nacional, mas existe a certeza de que a proposta causará debates acalorados entre os parlamentares. Para quem ainda tem dúvidas sobre os cálculos das possíveis novas regras da Previdência, o Metrópoles fez um simulador que simplifica a operação.

Os cálculos não levam em consideração as normas de transição propostas pelo governo e quem já tem idade para se aposentar. Ficou curioso? Faça a simulação.