O dólar teve dois momentos distintos nesta segunda-feira (14/1): subiu pela manhã, quando bateu em R$ 3,73, e caiu à tarde, quando chegou a R$ 3,68. O dia foi de menor liquidez e profissionais de câmbio relatam que, na primeira parte dos negócios, o temor de desaceleração da China, após dados da balança comercial mais fracos do que o esperado, ajudou a fortalecer o dólar na economia mundial, repercutindo também aqui.

Pela tarde, as declarações de Donald Trump, de que um acordo comercial com Pequim é possível, ajudaram a retirar a pressão no câmbio e a divisa bateu mínimas, não só aqui, mas também perante moedas como o peso mexicano e o rand da África do Sul. No final da sessão, o dólar à vista fechou em baixa de 0,33%, a R$ 3,7011.

Já o Ibovespa, principal indicador das ações mais negociadas na B3, antiga BM&F Bovespa, novamente bateu recorde, atingindo 94.474 pontos, uma elevação de 0,87% em relação ao pregão da sexta-feira (11). O recorde anterior, de 93.805 pontos, foi registrado na quinta (10).

As ações que mais valorizaram hoje foram as da Viavarejo ON (6,87%), Sabesp ON (5,34%) e Estacio Porton (4,49%). Os papéis que mais perderam valor foram os da Usiminas (-3,05%), Lojas RennerON (-1,82%) e Natura ON (-1,59%).

Além das notícias externas, o mercado doméstico segue otimista com o avanço da reforma da Previdência. Durante todo o dia, havia a expectativa de uma reunião nesta segunda, anunciada na sexta-feira pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para discutir a proposta a ser entregue ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), mas até o final da tarde não havia informações oficiais sobre o encontro.

A visão das mesas de operação é de que as conversas prosseguem em Brasília e a proposta que deve ser apresentada a Bolsonaro esta semana deve prever economia fiscal relevante.

Neste contexto, o banco americano Goldman Sachs afirmou estar otimista com o real e vê ainda potencial adicional de valorização. “Investidores céticos”, ressalta o banco americano nesta segunda-feira em relatório a investidores, “parecem ser a minoria no momento”.

Algumas casas, como o grupo financeiro holandês ING, veem o real caindo para a faixa de R$ 3,30 a R$ 3,50 caso Bolsonaro consiga aprovar uma reforma da Previdência com economia fiscal importante, ao menos na casa dos R$ 800 bilhões do texto original proposto por Michel Temer.

Sem esta reforma, mesmo com o ambiente de dólar fraco lá fora, a moeda norte-americana poderia ir para a casa dos R$ 4,00. “O mercado está muito ansioso para saber o que vai ser apresentado na reforma”, destaca o operador da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado Neto.

Expectativas
Para o especialista em câmbio e consultor da ViaBrasil, Durval Correa, o otimismo do mercado com a Previdência é todo baseado em expectativas, pois de concreto pouco se sabe até agora sobre a proposta.

“O mercado acredita que a reforma vai acontecer”, destaca ele. Com isso, há uma limitação para uma alta maior do dólar neste momento. Ao mesmo tempo, a moeda americana também tem tido dificuldade de se sustentar abaixo dos R$ 3,70, ao menos enquanto não sair algo mais concreto sobre a proposta.