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O mercado de câmbio voltou do feriado e operou nesta segunda-feira (5/11) com liquidez reduzida, em meio à cautela dos investidores com eventos que acontecem esta semana. Nesta terça-feira (6/11) os Estados Unidos fazem eleições para o Congresso e, por aqui, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) vai para Brasília colocar em marcha a transição de governo e se reunir com Michel Temer, na quarta-feira (7/11). O dólar à vista fechou em alta de 0,74%, cotado em R$ 3,7254. O dólar para dezembro terminou o dia em R$ 3,7335, com alta de 0,77%.

No exterior, o dólar operou em queda ante divisas de emergentes que são pares do Brasil no mercado de moedas, principalmente o México (-0,37%). Operadores ressaltam que o descompasso do real nesta segunda em relação a outros emergentes ocorreu porque o mercado estava fechado aqui na sexta-feira (2/11), no feriado de Finados, e o dólar subiu no exterior após a divulgação de dados fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Os números reforçaram a previsão de mais altas de juros na maior economia do mundo. Com isso, o real teve o pior desempenho perante o dólar considerando os principais mercados emergentes.

Na sessão desta segunda, o volume de negócios foi mais fraco no mercado futuro, com giro de US$ 14,4 bilhões, abaixo da média de outubro, na casa dos US$ 20 bilhões. No mercado à vista, o volume foi de US$ 1,3 bilhão. Para o operador de câmbio da corretora Spinelli, José Carlos Amado, o clima de cautela marcou as mesas de câmbio. “O mercado preferiu apostar contra o real”, disse ele ao falar dos eventos nos próximos dias, que inclui, além das eleições nos EUA e a transição de governo aqui, a reunião de política monetária do Federal Reserve.

Sobre os próximos passos de Bolsonaro, o senador eleito pelo Estado de São Paulo, Major Olímpio (PSL), disse em visita nesta segunda à sede do grupo Estado que todo o processo de transição começa agora e que o objetivo do presidente é reequilibrar a economia. O senador, porém, minimizou as chances de aprovação da reforma da Previdência ainda este ano, porque muitos parlamentares não foram reeleitos e vão deixar o Congresso em dezembro.

Enquanto a transição de governo caminha, o dólar deve seguir na casa dos R$ 3,70, ao menos pelos 30 dias à frente, prevê a Continuum Economics, a consultoria do economista Nouriel Roubini A moeda subiria para R$ 3,80 no começo de 2019, permanecendo neste patamar nos primeiros meses do governo de Bolsonaro. “Os mercados permanecem otimistas com o presidente eleito, mas vão seguir cautelosos com a política econômica”, ressalta relatório da consultoria nesta segunda-feira, destacando que os primeiros nomes que vão compor o novo governo começam a aparecer e agradaram, mas as dúvidas sobre a agenda de governo permanecem.