Dólar afunda e Bolsa dispara com entrada de capital estrangeiro no Brasil
Moeda americana registra queda de 0,74%, cotada a R$ 5,14. Ibovespa, sobe 2%, aos 181 mil pontos, de volta a patamar de maio

O dólar mudou de sentido no fim da manhã desta terça-feira (1º/9). Na prática, deu um cavalo-de-pau. Ele saiu de uma pequena alta e passou a registrar forte queda de 0,74% frente ao real, cotado a R$ 5,14.
Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), disparou. Às 11h36, ele subia 2,02%, aos 181 mil pontos, patamar que não era alcançado desde maio.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasNa avaliação de Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a mudança de sentido no mercado de câmbio é resultado do aumento do fluxo de capital estrangeiro direcionado ao mercado acionário brasileiro.
“Após semanas de postura defensiva e saídas pontuais de recursos, o investidor internacional voltou a ingressar no país para aproveitar o momento das ações locais”, diz Nossig. “Essa entrada maciça de divisas na economia brasileira aumentou a oferta da moeda americana no mercado doméstico, provocando uma pressão vendedora e garantindo o fortalecimento do real ao longo da sessão.”
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMotor
Para a analista, o motor por trás dessa atração de capital externo foi o setor de commodities da Bolsa, com destaque central para as empresas petroleiras. “Diante da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e do consequente salto nos preços do barril de petróleo no exterior, as grandes gestoras globais voltaram seus olhares para gigantes como a Petrobras”, afirma. “A busca por papéis ligados à energia — vistos como estratégicos, pagadores de dividendos e atraentes em termos de valuation — fez com que o capital estrangeiro aportasse nessas companhias, exigindo uma conversão direta de dólares em reais para a liquidação das compras na Bolsa brasileira.”
Como resultado direto dessa busca do investidor estrangeiro pelas produtoras de matérias-primas, a trajetória de alta que o dólar vinha sustentando no mês de agosto sofreu um contraponto. O apetite externo por ativos de commodities funcionou como um escudo para o câmbio local, mitigando o impacto das incertezas globais e renovando o fôlego da moeda brasileira.
Petróleo
No exterior, o preço do petróleo no mercado internacional superou o patamar dos US$ 90 por barril. Às 9h35, o tipo Brent, referência internacional da commodity, subia 4,55%, a US$ 92,39. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançava 2,53%, a US$ 87,93.
PIB do Brasil
No cenário interno, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do país no segundo trimestre de 2026. Ele cresceu 0,5%, pouco acima do esperado pelo mercado (+0,4%). A economia brasileira movimentou R$ 3,4 trilhões no período.



