Desemprego atinge 14 milhões de pessoas e bate novo recorde na pandemia

Taxa de desocupação chega a 14,2% em novembro, recorde da série iniciada em maio, segundo o IBGE. Em 7 meses, contingente cresceu 38,6%

atualizado 24/12/2020 12:16

carteira de trabalhoFelipe Menezes/Metrópoles

São Paulo – O desemprego bateu novo recorde durante o período da pandemia do novo coronavírus. Em novembro, 14 milhões procuravam uma vaga no mercado de trabalho, segundo a Pnad Covid (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid), divulgada nesta quarta-feira (23/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número é recorde da série iniciada em maio, com um aumento de 2% frente a outubro. Em relação a maior, houve um salto de 38,6%, o que representa um acréscimo de 4 milhões de pessoas.

A taxa de desemprego ficou em 14,2% em novembro, recorde da série. Em outubro, o índice estava em 14,1%.

“Esse aumento da população desocupada ocorreu, principalmente, na região Nordeste. Nas demais regiões ficou estável, sendo que no Sul houve queda na desocupação”, disse Maria Lucia, coordenadora da pesquisa.

Já a população ocupada subiu para 84,7 milhões, aumento de 0,6% em relação a outubro (84,1 milhões), e, pela primeira vez desde o início da pesquisa, apresentou contingente superior ao de maio (84,4 milhões). No entanto, o nível de ocupação segue baixo, em 49,6%, ou seja, menos da metade da população em idade para trabalhar estava ocupada.

“A população ocupada se aproximou do patamar de março, apesar da taxa de desocupação maior. Isso porque temos mais pessoas pressionando o mercado de trabalho em busca de uma ocupação. Esses números refletem a flexibilização das medidas de distanciamento social, com mais pessoas mês a mês deixando de estar fora da força de trabalho”, afirmou Maria Lucia.

O número de trabalhadores informais foi de 29,2 milhões de pessoas em novembro, um aumento de 0,6% em relação a outubro, mas a taxa de informalidade ficou estável em 34,5%. Norte e a Nordeste seguem com as maiores taxas de informalidade, 49,6% e 45,2%, respectivamente.

Houve redução de 853 mil pessoas no contingente daqueles que gostariam de trabalhar e não procuraram trabalho devido à pandemia ou por falta de vaga na localidade em que vivem (13,6 milhões).

Das 84,7 milhões de pessoas ocupadas, 2,1 milhões ainda estavam afastadas do trabalho devido ao distanciamento social em novembro, menor contingente da série. Em maio, 15,7 milhões estavam afastadas do trabalho por esse motivo.

Distrito Federal

Segundo o levantamento do IBGE, o DF teve crescimento no número de desempregados de 37% no período de maio até novembro.

O instituto aponta, hoje, uma taxa de desemprego de 15,4% na capital federal – a maior registrada desde o início da pesquisa, em maio. Atualmente, são 242 mil pessoas sem emprego no DF, segundo o IBGE.

Os números divergem de Pesquisa de Emprego e Desemprego, publicada pela Companhia de Desenvolvimento do DF (Codeplan) na quarta-feira (23/12). Segundo a estatal, o DF tem 17,8% da população economicamente ativa sem emprego.

No entanto, pelos levantamentos da Codeplan, o percentual representa queda na quantidade de desempregados, que teve seu pico em junho, com 21,6%. De acordo com o presidente da Codeplan, Jean Lima, a divergência ocorre devido à metodologia usada.

“A Pnad contínua não divide o DF por região administrativa, é divulgada a cada trimestre e tem uma abrangência reduzida. É uma boa referência como parâmetro de comparação com as demais capitais do país. A amostragem da PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego do DF é de 2,5 mil domicílios por mês e permite detalhamento por regiões e faixa de renda. É uma questão de metodologia. Não podem ser confrontadas porque os pressupostos são distintos”, ressaltou.

De acordo com a Codeplan, o número de desempregados caiu no DF de 330 mil desempregados em junho para 234 mil em novembro.

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