Como o petróleo brasileiro pode ser afetado por atos de Trump no mundo

Movimentações e declarações de Trump sobre Venezuela e Irã mexeram no preço da commoditie nos últimos dias. Tendência é situação piorar

atualizado

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Rodrigo Jose Fernandes/Petrobras
Imagem colorida da Refinaria Replan Paulínea da Petrobras
1 de 1 Imagem colorida da Refinaria Replan Paulínea da Petrobras - Foto: Rodrigo Jose Fernandes/Petrobras

As movimentações e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Venezuela e o aumento na tensão no Irã, por causa de protestos, levaram a questionamentos sobre as consequências de curto e longo prazo para os rumos do petróleo no mundo, resvalando no Brasil por tabela. No entanto, as perspectivas iniciais indicam um cenário de pouca influência das movimentações externas sobre o combustível brasileiro.

A expectativa de que a influência externa sobre o petróleo brasileiro vem perdendo força faz parte do entendimento do proprietário da WSB Advisors- locadora de navios de petróleo, Alexandre Vilela.


Tipos de petróleo existentes

  • Petróleos no mundo são classificados por densidade (API Gravity) [que varia de leve a extrapesado], teor de enxofre [doce (baixo enxofre) ou ácido (alto enxofre)] e também pela base química [parafínica, naftênica, aromática].
  • Os tipos de petróleo mais conhecidos no mundo são dois.
  • O Brent é mais comum na Europa e Ásia e possui qualidade de média a leve.
  • O outro é o WTI, mais comum nos EUA, com característica mais leve, o que implica em ele ser mais valioso leve/mais valioso).

“O Brasil é hoje claramente mais resiliente. O país conta com uma base produtiva sólida, contratos de longo prazo, maior previsibilidade regulatória e uma frota de bandeira nacional em expansão para o transporte de petróleo e derivados. Esses fatores reduzem a exposição a choques externos e contribuem para maior estabilidade logística e comercial”, detalha Vilela.

Especificamente em relação ao vizinho sul-almericano, Vilela considera ser cedo para considerar a materialização de possíveis impactos relevantes sobre o comércio petroleiro brasileiro.

“A interação direta de volumes entre Brasil e Venezuela é historicamente muito limitada, e eventuais mudanças estruturais na oferta venezuelana demandariam tempo para se materializar. Além disso, o cenário atual ainda carece de estabilidade política e operacional para gerar redistribuições efetivas de fluxos”, explica.

Vilela argumenta que a posição do Brasil hoje tem relação com o passado. Ele contextualiza que o Brasil já foi impactado no passado pela nacionalização de ativos e pelo descumprimento de compromissos na Venezuela.

“Mas hoje detém elevada expertise técnica, operacional e financeira. A autossuficiência deve ser entendida não apenas como produção doméstica, mas também como a capacidade de uma empresa nacional atuar de forma integrada, dentro e fora do país”, acrescenta.
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Navios-tanque da Petrobras Amapá e Ipanema, atracados no píer do Terminal da Ilha D'água, no Rio de Janeiro
Refinaria de Petróleo Henrique Lage (Revap) da Petrobras
Ilha Redonda, onde fica um dos nossos terminais de carga e descarga de GLP, no Rio de Janeiro
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Ilha Redonda, onde fica um dos nossos terminais de carga e descarga de GLP, no Rio de Janeiro

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Navios-tanque da Petrobras Amapá e Ipanema, atracados no píer do Terminal da Ilha D'água, no Rio de Janeiro
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Navios-tanque da Petrobras Amapá e Ipanema, atracados no píer do Terminal da Ilha D'água, no Rio de Janeiro

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Refinaria de Petróleo Henrique Lage (Revap) da Petrobras

Filipe Gomes Almeida/Petrobras

Sensibilidade à variação nos preços internacionais

As manifestações de Trump incentivado os iranianos a manterem os protestos contra o regime dos aiatolás no país levaram a uma reação do mercado, que é mais sensível a possíveis mudanças repentinas no equilíbrio geopolítico global.

“Patriotra iranianos, continuem protestando – ocupem suas instituições. Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes pare. A ajuda está a caminho”, escreveu Trump em publicação da terça-feira (13/1).

Como consequência, o preço do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) chegou a acumular alta de 11% em uma semana. Os preços recuaram juntos com uma baixa no tom do norte-americano.

O Irã

O Irã enfrenta protestos internos recorrentes, agravados por uma economia enfraquecida, inflação elevada e restrições impostas por sanções internacionais que já duram anos. Uma escalada na contenda entre EUA e Irã pode levar a impactos na produção global de petróleo. Estas alterações é que poderiam resvalar no Brasil.

A repressão ao movimento de protesto no Irã já resultou em milhares de mortos, entre eles manifestantes – a grande maioria – pessoas ligadas ao governo, além de crianças e civis que não participavam das mobilizações.

Venezuela

Os Estados Unidos atacaram, no último dia 3/1, diversas regiões da Venezuela. Naquela data foram capturados o presidente do regime autoritário Nicolás Maduro e da esposa dele, Cilia Flores.

Ao fazer o primeiro pronunciamento sobre o assunto, Trump foi transparente ao deixar claro que o interesse da operação não tinha como foco a derrubada do regime autoritário, e sim a exploração de petróleo venezuelano.

O impacto da possível concretização do plano trumpista pode ser uma redução no preço do petróleo no mundo. O motivo é que aumentaria a produção venezuelana. O país tem a maior reserva de petróleo do mundo, além de ser considerado um tipo de elevada qualidade.

Investimentos norte-americanos têm condição de elevar o volume de produção, o que ampliaria a oferta e influenciaria para a queda nos preços de uma maneira geral, impactando também o Brasil. No entanto, os investimentos e os resultados dos mesmos podem levar tempo.

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