CNT critica alteração na fórmula do diesel: “Só beneficia a indústria”

Mistura de biodiesel adicionado ao diesel é de 10%. Setor de biodiesel pressiona o governo para que seja autorizado um percentual de 12%

atualizado 08/06/2022 20:10

Michael Melo/Metrópoles

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) criticou a possível elevação da quantidade de biodiesel adicionada ao diesel para aumentar a disponibilidade desse combustível no país.

Nesta quarta-feira (8/6), em nota, a entidade afirmou que a medida só beneficia a indústria de biodiesel, aumentando o preço do diesel e a quantidade consumida, poluindo mais e gerando mais inflação.

“Essa proposta não necessariamente representará aumento da oferta do combustível, tampouco a diminuição do preço final do produto”, frisa o texto.

Atualmente, o percentual de mistura de biodiesel adicionado ao diesel é de 10%. O setor de biodiesel pressiona o governo federal para que seja autorizado um percentual de 12%. O índice, se houver consenso entre as partes, pode chegar a 15% em 2024.

Se mantidos os preços do diesel A e do biodiesel referentes à semana de 23 a 29 de maio, a elevação do percentual da mistura de 10% para 13% aumentaria imediatamente o preço do diesel B em 1,4%. Se elevado o percentual para 15%, o impacto seria de 2,4% no preço do diesel B, diz a CNT.

A entidade acusa a elevação da mistura de causar diversos problemas técnico-mecânicos em virtude das especificações inadequadas que comprometem a qualidade da mistura em percentuais elevados de biodiesel no diesel.

“Entre os problemas detectados, consta o aumento do consumo de combustível, agravando ainda mais a escassez de oferta”, conclui.

Crise no setor

O diesel tem sido pivô de uma longa crise no setor de combustíveis, que tem irritado motoristas autônomos. Além do alto preço, o risco de desabastecimento deixou a categoria em alerta.

Os caminhoneiros dizem que as condições de trabalho estão cada vez piores e uma greve não está descartada.

No último mês, a Petrobras confirmou o que as principais entidades que representam o setor afirmam: pode faltar combustível a partir de junho.

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