“China é o país mais capitalista do mundo”, afirma Paulo Guedes

Ministro da Economia defende reformas estruturais no Estado brasileiro como forma de competir melhor com países asiáticos

Foto: Rafaela Felicciano/MetrópolesFoto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 07/11/2019 17:27

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu o pacote de reformas estruturais para o Estado brasileiro como forma de preparação do Brasil para competir com a China. Para ele, o país asiático já não pode ser chamado de comunista.

“A China é o país mais capitalista do mundo. Descobriu o segredo do Ocidente, mergulhou nos mercados globais”, discursou ele, em palestra na sede do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília, nesta quinta-feira (07/11/2019).

Guedes fez uma longa revisão da história econômica do planeta para argumentar que o sistema político e econômico do Brasil (mas também o da Europa e o dos Estados Unidos) não está mais preparado para lidar com o cenário atual. “A máquina deixou de reagir inteligentemente ao que está acontecendo”, afirmou a uma plateia de servidores.

Para o ministro da Economia, os chineses “estão enriquecendo enquanto nós [ocidentais] estamos descendo da fartura”. “Os europeus pararam de trabalhar, enquanto os asiáticos trabalham 15 horas por dia, sem direitos trabalhistas, sem encargos; um capitalismo selvagem de séculos atrás”, afirmou ele, defendendo que os Estados ocidentais precisam se descentralizar para conseguir competir.

“Os constituintes de 1988 decidiram que tinha que gastar com educação, com saúde, investir no capital humano. Era compreensível à época, mas os tempos mudaram”, defendeu. O “descarimbamento” de gastos obrigatórios é um dos pilares do pacote Mais Brasil, que Guedes e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) levaram ao Congresso na última terça-feira (05/11/2019).

Concentração de poder
Na fala, Guedes também fez críticas ao personalismo exagerado de líderes, citando indiretamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem dizer o nome. “Não pode concentrar tanto poder. [Quando concentra], se o cara gosta do Corinthians, surge um estádio. Se gosta de uma construtora, ela vira a maior da América Latina, se gosta de um ou dois países, a gente empresta bilhões que nunca vamos receber”, criticou.

O ministro aproveitou também para pedir paciência com o atual governo e prometeu que o crescimento virá. “O desafio está à nossa frente. O outro caminho a gente já conhece. Será que dá pra esperar um ano, um ano e meio pelo menos para a gente mostrar o nosso caminho?”, afirmou, arrancando aplausos da plateia.

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