BC registra queda na renda das famílias e inadimplência em alta

A cada R$ 100 de renda, sobram menos de R$ 70 para outras despesas. Ao mesmo tempo, endividamento das famílias atingiu 56,4% da renda total

atualizado 12/04/2021 12:24

Mulher com máscaraHugo Barreto/Metrópoles

Os últimos dados do Banco Central (BC) apontam que o comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas bancárias chegou a 31,1% em dezembro, o maior da série histórica. Na prática, isso significa que a cada R$ 100 de renda, sobram menos de R$ 70 para outras despesas.

Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias também atingiu patamar recorde, representando  56,4% da renda total.

Apesar do fôlego trazido pelo auxílio emergencial, o qual ajudou famílias de baixa renda a se estabilizarem no ano passado e foi retomado agora, a descontinuação do programa pressionou o orçamento dos brasileiros.

Em fevereiro, a inadimplência atingiu 4,1% entre as famílias e 1,6% nas empresas.

Dados excluídos

Os dados excluem financiamentos com dinheiro do BNDES e da poupança. Por ora, esses números seguem controlados, mas a situação não é confortável.

O motivo disso é de que apenas atrasos de mais de 90 dias são considerados como inadimplência para o BC. No ano passado, diante do contexto de pandemia da Covid-19, os bancos flexibilizaram a renegociação de dívidas, o que ajudou a taxa a cair no segundo semestre.

Entretanto, em 2021, o indicador já voltou a crescer. Em fevereiro, os atrasos entre 15 e 90 dias chegou a 3,65% das famílias e 1,69% das empresas. Enquanto em dezembro, os porcentuais eram de 3,24% e 1,52%, respectivamente.

Agora, a situação agrava-se ainda mais, uma vez que os bancos não tem mais a facilidade que ajudou a melhorar a renegociação de dívidas. No ano passado, o governo deixou não obrigatória a realização de provisões para perdas ao renegociar débitos, o que significa que os bancos não tiveram como guardar recursos em casos de inadimplência.

Diante desse contexto, a população ainda enfrenta a alta da inflação, que registrou crescimento de 0,93% em março, a taxa mais alta para o mês desde 2015, quando atingiu 1,32%.

 

 

 

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