Entenda as apostas e ambições de Lula nas relações com a Índia
Comitiva chefiada por Lula vai ao país mais populoso do mundo em fevereiro. Objetivo é ampliar parcerias comerciais e tecnológicas
atualizado
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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chefia uma missão internacional à Índia, entre os dias 19 e 21 de fevereiro. Na bagagem rumo ao décimo maior importador brasileiro vão expectativas de ampliar o escopo de produtos negociados, mas também a intenção de parcerias em diferentes áreas e a redução da dependência econômica dos líderes globais Estados Unidos e China.
Auxiliares de Lula comentam que o presidente quer uma missão “bem grande”. Para a tarefa, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) abriu uma chamada para o credenciamento de até 200 empresários que possam integrar o grupo. Até sexta, 150 já haviam realizado a inscrição.
Diálogos com a Índia
- Em meados de outubro de 2025, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDic), Geraldo Alckmin, e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, reuniram-se com o ministro da Defesa indiano, Rajnath Singh, e trataram de parceria a respeito de soberania e Defesa.
- A reunião de Alckmin com Rajnath ocorreu durante uma visita do vice de Lula ao país, que também tratou sobre ampliar o escopo do Acordo de Preferências Tarifárias Mercosul-Índia, em vigor desde 2009.
- Lula conversou, por telefone, na última sexta-feira (23/1), com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi (foto em destaque). As duas lideranças discutiram, entre outros temas, sobre a necessidade de uma reforma abrangente das Nações Unidas e do Conselho de Segurança da mesma.
O foco do Brasil em se aproximar da Índia também fica claro na inauguração de um escritório de negócios no país. No mundo existem apenas cerca de 20 deles com a bandeira brasileira. O governo Lula pretende ampliar e diversificar a lista de produtos exportados para o parceiro. Em 2025, só o petróleo respondeu por cerca de 30% de tudo que foi para o país asiático.

Em 2025, a Índia foi o décimo país que mais comprou produtos brasileiros, somando US$ 6,9 bilhões. O parceiro é o sexto país onde o Brasil mais compra. No ano passado esse montante foi de US$ 8,4 bilhões, o que resultou em um déficit de US$ 1,5 bilhão. Tanto as exportações quanto as importações cresceram no ano passado, 30,2% e 21,9%, respectivamente.

Mais objetivos
Economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carla Beni avalia como importante a investida brasileira no país que ostenta o título de maior população mundial, com 1,46 bilhão de habitantes. Ela explica que a parceria tem vários motivos para se concretizar pelo lado brasileiro.

“O grande objetivo é que o Brasil quer ampliar as parcerias para diminuir a dependência dos parceiros tradicionais, China e Estados Unidos. Ainda mais Estados Unidos, com a questão do governo de Donald Trump”, contextualiza a economista ao pontuar que o Lula também trabalha por uma cooperação tecnológica entre as duas nações.
“Há um interesse muito grande em biocombustível, terras raras e a questão da integração do Pix com o sistema indiano [de transferências]. A ideia é ampliar a inclusão tecnológica com essas soluções de inclusão digital. Então, esse encontro é realmente fundamental”, acrescenta Beni, que também ressalta a tentativa brasileira de fortalecer as relações dos dois dentro do bloco Brics.
O Brasil também vai oferecer uma cooperação para a agricultura familiar na Índia. Por este motivo, um representante da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai compor a comitiva.
Preparação
Com o objetivo de “chegar chegando”, Brasil alugou, por dois dias, um auditório com capacidade para cerca de 500 pessoas durante a visita de Lula ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Na programação, está previsto que Lula fale a empresários indianos com o objetivo de atrair investimentos para o território nacional.
“O presidente vai ter uma parte da agenda com os maiores investidores indianos. Eles vão anunciar os investimentos nos próximos 4, 5 anos. Nós estamos tratando disso pessoalmente”, afirmou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, na última quinta.
A viagem de Lula à Índia ocorre também no contexto da iniciativa do Planalto de reafirmar, de olho nas eleições, a imagem do petista como uma figura de grande relevância global e capaz de defender os interesses nacionais diante de outros países.
Essa premissa encontra eco em entrevistas recentes de auxiliares do presidente, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o próprio Viana. Ambos sustentam que o Brasil recuperou o protagonismo internacional sob a presidência de Lula. “O Brasil voltou com muita força No cenário internacional”, sustenta Viana.








