Após pior Dia dos Pais em 13 anos, comércio espera alta nas vendas em 2021
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o faturamento com a data comemorativa crescerá 13,9%

As restrições para abertura das lojas no país estão cada vez mais flexíveis com o avanço da vacinação contra a pandemia da Covid-19. Com isso, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o volume de vendas para o Dia dos Pais deste ano atingirá R$ 6,03 bilhões. Caso isso ocorra, será maior faturamento para a data desde 2018, com alta de 13,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o Dia dos Pais de 2020 foi o pior em 13 anos.
Na época, as vendas recuaram 11,3% e geraram o menor volume financeiro (R$ 5,30 bilhões) desde 2007, quando o montante foi de R$ 4,98 bilhões. O Dia dos Pais é a quarta data comemorativa mais importante do varejo brasileiro.
“A desaceleração da Covid-19 a partir de abril devolveu parte do fluxo de consumidores perdido ao longo de toda a crise sanitária. Embora a circulação de consumidores no comércio ainda não tenha se normalizado, especialmente nos shopping centers, a movimentação de clientes vem aumentando desde o arrefecimento da segunda onda”, afirma Tadros.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasDe acordo com um monitoramento realizado pelo Google Mobility, entre o fim de abril e o fim de julho, o fluxo de consumidores em áreas comerciais cresceu 39%, mas ainda se encontra 9% abaixo da circulação média de clientes verificada em fevereiro do ano passado, quando a pandemia ainda não havia se alastrado pelo país.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNeste cenário, os pais deram mais sorte que as mães. Segundo um levantamento da Dito, empresa de CRM para o mercado omnichannel, em maio, no Dia das Mães, foram realizadas 3,7 milhões de compras, mais que o dobro das 1,5 milhão de aquisições do mesmo período do ano passado. Essa movimentação gerou R$ 2,5 bilhões em receita, ante R$ 668 milhões do ano anterior. Mesmo assim, o montante ainda é menor do que o esperado pelo varejo para o Dia dos Pais.
Em comparação com o Dia dos Namorados, a data também é vencedora. Os casais apaixonados renderam um faturamento de cerca de R$ 1,8 bilhão para o comércio nacional. Enquanto a Páscoa, a quinta data comemorativa mais importante do ano para o varejo, registrou o menor volume de vendas desde 2008 e levantou cerca de R$ 1,62 bilhão em 2021, aponta a CNC.
E-commerce
Outro recente estudo feito pelo Google, com 800 entrevistados, mostra que mais de 60% das pessoas devem fazer compras pela internet para o Dia dos Pais. A data comemorativa conquistou o quinto lugar em faturamento no e-commerce em 2020, movimentando R$ 3,5 bilhões em vendas on-line.
Para este ano, a projeção da Synapcom, empresa líder em full commerce, é ainda mais positiva. São esperados cerca de 63 mil pedidos divididos entre mais de 130 mil itens. Um aumento em 241% das vendas gerais em relação a 2020.
Dentre os segmentos com maior projeção de crescimento estão: “Home&Tech”, com alta de 308% e “Beleza e Saúde”, com 57%. Já o mercado de “Moda” espera um crescimento de 15%.
“O mercado de usados e semi-novos passa a ter uma relevância maior também nas datas tradicionais do varejo. Os dados de buscas e vendas na plataforma refletem os novos hábitos de consumo dos brasileiros, que passam a enxergar os benefícios, econômicos e sociais, do mercado de segunda mão”, diz o CEO da OLX Brasil, Andries Oudshoorn.
Inflação
O alto interesse por opções mais baratas pode ser explicado pela inflação, que afeta cada vez mais o bolso das famílias brasileiras. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC/FGV) indicou que os presentes e os serviços mais procurados para o Dia dos Pais subiram em média 6,08%, nos últimos 12 meses. O percentual ficou abaixo da inflação apurada para o mesmo período, que foi de 8,31%.
A pesquisa também mostrou que a inflação dos serviços subiu 9,06%, sendo a alta puxada pelas passagens aéreas, cujos preços avançaram 52,12%, refletindo a retomada do setor, que há 12 meses estava afundada na crise sanitária.
Também na cesta de serviços, restaurantes (4,76%), hotéis (0,91%) e excursões e tours (0,42%) sofreram aumentos, mas abaixo da inflação geral, ensaiando a retomada da demanda nestes setores.
O pesquisador do FGV/IBRE Matheus Peçanha avalia que o processo de reabertura e os custos tiveram um papel concorrente nessa dinâmica. “Essa mesma cesta de serviços refletia o cenário de total ausência de demanda há alguns meses, e agora, com exceção do setor cultural, já demonstra um reaquecimento da demanda com o retorno gradativo da atividade”, afirma.
“No caso das passagens aéreas e restaurantes, os custos auxiliaram na pressão inflacionária: o setor de aviação é muito dolarizado, de modo que a escalada do câmbio e o aumento do petróleo no segundo semestre do último ano provocou uma elevação no preço do QAV, já os restaurantes sofreram com o preço dos alimentos no mesmo período”, completa o especialista.
Regionalmente, São Paulo (R$ 2,15 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 632,1 milhões) e Minas Gerais (R$ 629,3 milhões) tendem a responder pela maior parte (56,6%) da movimentação financeira com a data neste ano. “Todas as unidades da Federação deverão acusar avanços reais ante os montantes do ano passado, com destaque para as taxas esperadas em relação ao Paraná (+15,0%), Rio Grande do Sul (+14,4%), Distrito Federal (+14,3%) e Santa Catarina (+12,5%)”, aponta a CNC.









