Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Economia

Após dois anos de queda, PIB sobe 1% em 2017

Além da melhora nos setores como um todo, fatores como o saque das contas inativas do FGTS e a safra agrícola recorde ajudaram no desempenho

01/03/2018 09:13, atualizado 01/03/2018 13:24
iStock
Após dois anos de queda, PIB sobe 1% em 2017

A soma de todos os produtos e serviços produzidos no país teve, em 2017, a primeira expansão desde 2014 – quando o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 0,50%, confirmando a saída da recessão. No ano passado, o PIB subiu 1%, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (1º/3). Em 2015 e 2016, houve declínio de 3,5% do PIB em cada ano, conforme dados revisados pelo IBGE.

Desde o início de 2017, a economia já dava sinais de reação, com avanço de 1,3% no primeiro trimestre, 0,7% no período de abril a junho e 0,1% do terceiro trimestre, todos os dados na margem com ajuste sazonal.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters
Além das questões temporárias que deram impulso para o consumo, a inflação baixa e o corte na taxa de juros foram alguns dos fatores que ajudaram a estimular a atividade doméstica em 2017, diz Luiz Castelli, da GO Associados. “Não são só fatores pontuais. Também tem uma dinâmica melhor da situação externa”, acrescenta.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Entre os fatores pontuais, o mais relevante, lembram os economistas, foi a liberação das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que somaram saques de R$ 44 bilhões entre março e julho. Isso favoreceu bastante o consumo, que foi o principal motor da recuperação em 2017, e o varejo do lado da oferta, que é contabilizado no PIB dentro de Serviços.

O consumo das famílias deve voltar a crescer depois de anos de contração, de 3,2% em 2015 e 4,3% em 2016. “No lado da demanda, o destaque é o gasto das famílias voltando a ficar positivo, como reflexo da inflação mais baixa, da liberação do FGTS e da melhora na confiança. Mas, a retração menor dos investimentos também pode ser comemorada”, diz o economista Francisco Pessoa Faria, da LCA Consultores.

Do lado da oferta, a recuperação entre todos os grandes setores, dizem os economistas, ocorre graças à safra recorde de grãos em 2017. A agropecuária deve dar a principal contribuição para o crescimento previsto.

Pessoa Faria, da LCA, esperava avanço de 1,03% do PIB de 2017 e destaca como principais influências a agropecuária e a indústria de transformação. Ele diz que, embora o PIB agrícola tenha sido beneficiado pela safra recorde e contribuído para o resultado, o crescimento previsto para a indústria de transformação é mais representativo no início do processo de retomada, visto no ano passado.

“Sem prejuízo dos ganhos de produtividade no campo, a expansão da agropecuária está mais relacionada a questões climáticas. Em termos de virada da atividade, a indústria de transformação é o principal destaque”, acrescenta Pessoa Faria.

Para 2018, a GO Associados espera um cenário mais favorável, com possibilidade de crescimento de 3,2% para o PIB. “A retomada que vem acontecendo de forma paulatina, trimestre a trimestre, deve ganhar força ao longo deste ano”, diz.