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A soma de todos os produtos e serviços produzidos no país teve, em 2017, a primeira expansão desde 2014 – quando o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 0,50%, confirmando a saída da recessão. No ano passado, o PIB subiu 1%, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (1º/3). Em 2015 e 2016, houve declínio de 3,5% do PIB em cada ano, conforme dados revisados pelo IBGE.

Desde o início de 2017, a economia já dava sinais de reação, com avanço de 1,3% no primeiro trimestre, 0,7% no período de abril a junho e 0,1% do terceiro trimestre, todos os dados na margem com ajuste sazonal.

Além das questões temporárias que deram impulso para o consumo, a inflação baixa e o corte na taxa de juros foram alguns dos fatores que ajudaram a estimular a atividade doméstica em 2017, diz Luiz Castelli, da GO Associados. “Não são só fatores pontuais. Também tem uma dinâmica melhor da situação externa”, acrescenta.

Entre os fatores pontuais, o mais relevante, lembram os economistas, foi a liberação das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que somaram saques de R$ 44 bilhões entre março e julho. Isso favoreceu bastante o consumo, que foi o principal motor da recuperação em 2017, e o varejo do lado da oferta, que é contabilizado no PIB dentro de Serviços.

O consumo das famílias deve voltar a crescer depois de anos de contração, de 3,2% em 2015 e 4,3% em 2016. “No lado da demanda, o destaque é o gasto das famílias voltando a ficar positivo, como reflexo da inflação mais baixa, da liberação do FGTS e da melhora na confiança. Mas, a retração menor dos investimentos também pode ser comemorada”, diz o economista Francisco Pessoa Faria, da LCA Consultores.

Do lado da oferta, a recuperação entre todos os grandes setores, dizem os economistas, ocorre graças à safra recorde de grãos em 2017. A agropecuária deve dar a principal contribuição para o crescimento previsto.

Pessoa Faria, da LCA, esperava avanço de 1,03% do PIB de 2017 e destaca como principais influências a agropecuária e a indústria de transformação. Ele diz que, embora o PIB agrícola tenha sido beneficiado pela safra recorde e contribuído para o resultado, o crescimento previsto para a indústria de transformação é mais representativo no início do processo de retomada, visto no ano passado.

“Sem prejuízo dos ganhos de produtividade no campo, a expansão da agropecuária está mais relacionada a questões climáticas. Em termos de virada da atividade, a indústria de transformação é o principal destaque”, acrescenta Pessoa Faria.

Para 2018, a GO Associados espera um cenário mais favorável, com possibilidade de crescimento de 3,2% para o PIB. “A retomada que vem acontecendo de forma paulatina, trimestre a trimestre, deve ganhar força ao longo deste ano”, diz.