Alta do salário mínimo terá impacto de mais de R$ 3 bi sobre caixa de municípios, diz CNM

Segundo o presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, a questão preocupa quando somada a outros rombos nas contas municipais

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Jonas Pereira/Agência Senado
Paulo Ziulkoski
1 de 1 Paulo Ziulkoski - Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

O aumento de 11,67% do salário mínimo, para R$ 880, decretado nesta quarta-feira (30/12), vai ter um impacto de mais de R$ 3 bilhões sobre os cofres das prefeituras brasileiras no ano que vem, segundo informou o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski. Somados a outros rombos nas contas dos municípios, a questão preocupa, alerta ele.

Ziulkoski lembra que os reajustes dados ao magistério, por exemplo, têm impacto previsto de mais de R$ 8 bilhões sobre as prefeituras, além de repasses atrasados de programas de investimentos custeados pela União, que acumulam um passivo de mais de R$ 36 bilhões.

“Se somar tudo isso, dá mais que um petrolão, mas ninguém olha. Na hora de aumentar o salário mínimo, dar aumento para o professor, todo mundo quer e é justo querer valorizar, mas tem que ver como o prefeito vai pagar”, disse o presidente da CNM à reportagem.

Ziulkoski afirma que, nesse cenário, se faz mais importante a aprovação da recriação da CPMF. Da alíquota de 0,38% prevista, 0,09 ponto seria destinado aos cofres municipais, o que representaria uma receita extra de R$ 16 bilhões. “Os municípios sentem mais a crise, porque a sentem junto à população. Nossa situação é a situação do cidadão. E, no nosso caso, é receita que não tem o viés de caixa, como na União, vai pra educação, pra merenda, pra saúde.”

O presidente da CNM admite preocupação com a sinalização dada por governadores no início da semana – especialmente de oposição – de não apoiar a volta da CPMF, mas acredita que a pressão das prefeituras pode contornar o passo atrás. “Temos plena clareza que o próprio PSDB – e não estamos defendendo o PT, porque na oposição tinha a mesma postura – se fosse hoje governo seguramente ia propor a CPMF ou outra alternativa, porque não tem milagre”, disse Ziulkoski. “Se cada prefeito atuar, trabalhar com seus deputados, até os parlamentares de oposição vão votar pela CPMF. Nas conversas, o que eu tenho encontrado é que todos os prefeitos vão trabalhar fortemente pela aprovação, independentemente de partido”, completou.

Apesar de achar que a matéria tem força para ser aprovada, o presidente da CNM admite que a instabilidade política no cenário nacional, com a avaliação do processo de impeachment contra Dilma Rousseff no Congresso, pode representar um forte empecilho “Acho que devem aprovar, mas quando o imbróglio na área política se resolver. O prazo disso não sei qual vai ser, se maio ou outubro.”

Contas no vermelho
Levantamento da CNM, no começo deste mês, apontou para uma estimativa de que 43% dos municípios devem fechar 2015 com as contas no vermelho. Segundo Ziulkoski, a situação só não deve piorar em 2016 porque os prefeitos são conscientes da incidência da Lei de Responsabilidade Fiscal. O presidente da entidade lembra, por exemplo, que é relativamente frequente haver casos de prefeitos condenados e presos por deixarem restos a pagar sem provimentos no dia 31 de dezembro.

Ziulkoski afirma que estão previstos, para o ano que vem, alívios importantes para os caixas das prefeituras, como o projeto de repatriação de recursos no exterior aprovado no Congresso – parte dos recursos será revertida para os municípios – e o aumento de ICMS aplicado em muitos Estados. Foi aprovada também uma emenda no Congresso que ampliou de 23,5% para 24,5%, de forma escalonada, a cota de impostos destinada ao Fundo de Participação dos Municípios (FNP). Ziulkoski destaca que a primeira parcela desse dinheiro chega às cidades em julho de 2016. Tudo isso, contudo, ressalta, pode ser pouco diante da crise político econômica e diante dos aumentos e reajustes nas despesas, que pressionam as contas municipais.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?