À revelia de Bolsonaro, aliados de Maia resgatam Previdência de Temer

Articulação envolve, ainda, o lançamento de um texto para a reforma tributária tão logo a da Previdência passe no Congresso

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 25/03/2019 23:16

Após a troca de farpas entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliados do deputado articulam o resgate do projeto de reforma da Previdência apresentado por Michel Temer e relatado por Arthur Maia (DEM). Trata-se da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, de 2016, em seu último formato, já incluídas as emendas parlamentares.

A articulação tomou corpo ao longo do fim de semana e conta com o apoio massivo do DEM e de setores do PSL, de Bolsonaro. Na tarde desta segunda-feira (25/3), inclusive, partidários de Bolsonaro se encontraram com Maia na residência oficial do presidente da Câmara.

De acordo com aliados de Maia, não há mais clima entre os parlamentares do seu grupo para encampar a proposta do governo. A leitura é que o presidente, além de vir negando negociar com os congressistas, adotou nos últimos dias uma postura anti-Congresso. Dessa forma, caso a proposta do seu governo seja aprovada, ele poderia colher os lucros sem ter se dedicado à aprovação.

Com o resgate da reforma anterior, os problemas do mercado ficariam resolvidos, avaliam os aliados de Maia. A economia com a reforma do governo de Michel Temer é inferior à proposta por Paulo Guedes: enquanto o atual ministro da Economia prevê uma redução de gastos de até R$ 1 trilhão em 10 anos, a anterior deve economizar aproximadamente R$ 500 bilhões.

Arthur Maia, inclusive, defende que as duas reformas são praticamente iguais e que a de Guedes, quando estiver pronta para ser votada, deve estar bastante desidratada. “O que vai chegar no plenário é muito semelhante ao que está lá na nossa reforma”, disse. “No fundo, essa ação do governo de mandar para a Câmara um novo projeto não contribui”, prosseguiu.

Paralelamente, não serão feitos movimentos para impedir o avanço da reforma de Bolsonaro. A declaração de Rodrigo Maia de que o presidente deveria coordenar a articulação da reforma será mantida e não estão previstos movimentos para boicotar o seu avanço. E tampouco para auxiliar. “As duas vão correr paralelamente, mas a do [Arthur] Maia tem mais chances de ser aprovada antes”, afirmou um interlocutor do presidente da Câmara.

Além disso, pessoas próximas a Maia têm disparado, nos grupos de WhatsApp do DEM, a indicação de que, a partir desta segunda (25), os parlamentares do partido devem evitar responder a pesquisas sobre a aprovação da reforma. Eles pretendem não ser contabilizados nas avaliações e, dessa forma, dar a impressão de que a reforma de Bolsonaro está desidratada.

Reforma tributária
Ao mesmo tempo que resgatam o projeto anterior de reforma da Previdência, o grupo de Maia também começou a consultar economistas para elaborarem uma reforma tributária do Congresso, em oposição ao Executivo. Nos meses de maio e abril, o presidente da Câmara vai se reunir com teóricos para darem início à elaboração de uma reforma do setor.

Como braço prático dessa iniciativa, conforme o Metrópoles revelou, os deputados ligados ao presidente da Câmara vão lançar, na quarta-feira (27/3), a Frente Parlamentar para a reforma tributária. A frente conta com o apoio da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) e da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco).

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