Dos 62 presos mortos em Altamira, quase metade esperava julgamento

Entre os 58 detentos que perderam a vida na cadeia, 25 eram provisórios, 26 condenados e apenas sete foram julgados e respondiam pela pena

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atualizado 03/08/2019 12:19

Dos 62 presos mortos no massacre no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no Pará, na segunda-feira (29/07/2019), 26, ou 41%, ainda aguardavam julgamento, segundo informações divulgadas pelo sistema penitenciário do Estado. Entre os 58 detentos que perderam a vida no presídio, 25 eram provisórios, 26 condenados, e apenas sete foram julgados e respondiam pela pena.

Quatro vítimas morreram durante a transferência, na quarta-feira (31/08/2019), para outras cadeias do Estado. Destes, um era provisório, um condenado e os demais já haviam sido condenados.

A idade das vítimas varia entre 18 e 52 anos, e a maioria dos detentos respondia por tráfico de drogas, homicídio e associação criminosa. Do total,  10 eram do Pará e 12 foram transferidos de outros estados. Atualmente, 39,5% dos encarcerados em presídios brasileiros ainda não foram julgados. Somente no estado do Pará, 42,93% dos presos são provisórios e aguardam julgamento.

Nessa sexta-feira (02/08/2019), a polícia indiciou 15 suspeitos pelo massacre do presídio. As investigações ainda não foram concluídas e outros detentos podem ser acusados pelo crime.

Segundo o superintendente Regional da Polícia Civil em Altamira, delegado Walison Damasceno, o indiciamento dos 15 presos da facção Comando Classe A – responsáveis pelo ataque aos presos do Comando Vermelho – ocorre após a análise de imagens do circuito de segurança do sistema prisional.

A rebelião

A rebelião teve início por volta das 7h, devido a uma briga entre facções criminosas rivais, o Comando Classe A (CCA) e o Comando Vermelho (CV). Dois agentes penitenciários foram mantidos reféns, mas liberados após negociações. De acordo com o Gabinete de Gestão da Segurança Pública do Pará, foram confirmados 57 detentos mortos, sendo que 16 foram decapitados. O restante morreu por asfixia.

O motim começou no Bloco A do presídio de Altamira, onde estão os presos de uma organização criminosa. Um grupo rival invadiu o anexo. Depois dessa primeira ação, a ala foi trancada e, em reação, os detentos atearam fogo no local. Segundo informações da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), a fumaça tomou conta do ambiente, o que levou diversos presos à morte.

Na segunda (29/07/2019), Moro determinou transferência e isolamento dos líderes da rebelião do presídio. No mesmo dia, uma reunião de emergência ocorreu, com secretários e diretores da Polícia Federal e membros do ministério, para discutir o assunto. Porém, quatro vítimas foram mortas durante acidente no deslocamento.

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