Dono da Reag diz que a empresa foi “penalizada por ser independente”
João Carlos Mansur prestou depoimento à CPI do Crime por comandar empresa ligada ao Master e investigada na Carbono Oculto
atualizado
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O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, investigada por envolvimento com o Banco Master, disse à CPI do Crime Organizado do Senado que a empresa acabou sendo “penalizada por ser grande e independente” durante a sua oitiva desta quarta-feira (11/3).
O empresário foi à CPI como investigado e disse que a Reag escolheu “o mais alto nível de governança” e que a administradora de cerca de 700 fundos tinha um conselho “independente” e operações “transparentes“.
“A gente escolheu o nível de governança mais alto possível. Temos uma conselho administrativo independente, com nomes de referência no mercado e operações muito claras e muito transparentes. Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. O nosso mercado penaliza o independente”, afirmou à CPI.
Como mostrado pelo Metrópoles, a Reag aparece nas investigações da Polícia Federal por administrar fundos que teriam sido usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A empresa foi liquidada pelo Banco Central no início deste ano.
No depoimento, Mansur ainda confirmou que o Master estava na carteira de clientes da Reag, como também seus acionistas.
Além do caso Master, a Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do crime organizado no setor financeiro e de combustíveis. Após aquele episódio, João Carlos Mansur deixou o comando do conselho de administração da gestora, que posteriormente anunciou a venda do controle acionário, antes de ser liquidada pelo BC.
“Não somos de [uma empresa de] fachada, não temos investidores ocultos”, disse Mansur aos senadores.
CPI aprova quebras de sigilo de cunhado de Vorcaro
Antes da oitiva, a CPI do Crime Organizado aprovou a quebra de sigilo bancário e telemático de Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Daniel Vorcaro que foi preso junto ao banqueiro na terceira fase da Operação Compliance Zero, no último dia 4 de março.
Os senadores também convocaram dois ex-integrantes do Banco Central investigados: o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana. Segundo a PF, eles mantinham relação direta com o Vorcado e faziam “consultoria informal” para o banqueiro em processos dentro da instituição.
As empresas que tiveram requerimento de quebra de sigilos aprovados são Varajo Consultoria, Participações Imobiliárias e King Locação de Veículos. A Varajo Consultoria teria sido usada para o pagamento de propinas ao servidor do Banco Central Belline Santana, em esquema operacionalizado por Leonardo Palhares, que também foi convocado.
A CPI também aprovou a quebra de sigilo de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” de Vorcaro. O aliado participava do grupo “A Turma”, comandada pelo banqueiro, para intimidar adversários e obstruir investigações. Mourão foi preso e tentou se suicidar nas dependências da PF, no dia da prisão. O investigado foi socorrido, mas acabou falecendo dias depois.
