Doleiro confirma escuta clandestina em cela da Lava Jato

Em depoimento à Polícia Federal, Alberto Youssef revela que foi monitorado por grampo ilegal durante 15 dias

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atualizado 11/07/2019 18:27

Em depoimento prestado à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, o doleiro Alberto Youssef afirmou que um agente da PF, Dalmey Werlang, teria assumido a autoria da instalação de grampo clandestino na sua cela, enquanto esteve preso em Curitiba. São informações exclusivas da revista Veja.

O agente, segundo as perguntas da PF a Youssef, apontou os delegados Igor Romário, Márcio Anselmo e Rosalvo Franco, que atuavam na Lava Jato naquele período, como os mandantes da ação clandestina.

Um dos primeiros delatores da Lava Jato, Alberto Youssef ficou três anos preso na carceragem da PF em Curitiba. Acusado de ser o principal operador de propinas no bilionário esquema de corrupção na Petrobras, conseguiu a progressão para regime aberto, em 2017, graças a acordo de colaboração premiada que fechou com a força-tarefa do Ministério Público Federal.

No depoimento, a PF também questionou a Youssef se ele sabia que a primeira sindicância realizada para investigar a colocação do grampo foi forjada para não apontar que a escuta estava ativa.

“O depoente sabe que essa nova sindicância apurou que a primeira sindicância sobre escuta foi falsa, pois o aparelho não foi colocado para ouvir Fernandinho Beira-Mar (versão oficial propagada pela Lava Jato na ocasião), não estava desativado quando o depoente o encontrou e captou mais de 15 dias ininterruptos de conversa do depoente e de seus companheiros na cela?”, questionou a PF a Youssef.

“Para inglês ver”
“Tinha certeza que a escuta foi colocada lá e que estava ativa, mas não tive acesso a gravações nem conhecimento do resultado da sindicância. Tinha certeza que a primeira sindicância foi feita ‘para inglês ver’”, disse Youssef.

O doleiro foi questionado se tinha conhecimento de que a escuta instalada na cela era clandestina. Youssef diz que um de seus advogados foi até o então juiz Sergio Moro para confirmar se o aparelho havia sido instalado com autorização judicial e que Moro negou a ordem.

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