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Brasil

Dividida, bancada evangélica enfrenta eleição de líder sem favorito

São três deputados que disputam o comando da Frente Parlamentar Evangélica. Desde 2022, grupo não consegue escolher líder "por aclamação"

22/02/2025 02:00, atualizado 24/02/2025 10:36
Hugo Barreto / Metrópoles
Câmara plenário da Câmara dos Deputados - Metrópoles

A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional vai escolher na próxima terça-feira (25/2) quem coordenará o grupo pelos próximos dois anos. A bancada chega às vésperas do pleito rachada e sem nenhum dos candidatos considerado “favorito”.

Os deputados Otoni de Paula (MDB-RJ) e Gilberto Nascimento (PSD-SP), além da deputada Greyce Elias (Avante-MG), disputam o comando do grupo, que tem 219 deputados e 26 senadores. Desde o fim de 2022, o grupo não consegue escolher o líder por “aclamação”, como ocorria no passado.


A derrocada da união na bancada evangélica

  • Até o fim de 2022, os líderes eram escolhidos por aclamação, ou seja, nunca houve votação para o coordenador da bancada, e havia consenso.
  • No fim de 2022, os deputados Silas Câmara (Republicanos-AM) e Eli Borges (PL-TO) não chegaram a um acordo sobre quem seria o líder do grupo.
  • Para evitar disputa no voto, ficou decidido que ambos revezariam a presidência em 2023 e 2024, com cada um ficando no cargo por seis meses.
  • Neste ano, de forma inédita, a Frente vai ter uma disputa no voto entre três candidatos.
  • A eleição seria no dia 26, quarta, mas foi antecipada para terça por causa da preocupação com o quórum dos parlamentares, já que só no dia 25 será obrigatória a presença física de deputados em Brasília. Depois, só após o feriado de Carnaval.

Ao Metrópoles Otoni defendeu a necessidade de se fazer uma eleição, porque o modelo adotado em 2022 para evitar uma disputa no voto “não funcionou”. De acordo com ele, a bancada evangélica, atualmente, tem um valor muito mais simbólico do que de coesão e consistência na negociação política.

Para ele, ao escolher um líder no voto, o grupo terá a oportunidade de ter uma coesão e também um engajamento político de diálogo para construir e defender pautas que sejam do interesse do grupo. Durante a campanha em busca de votos, Otoni foi taxado de governista, o que ele nega. Porém, o parlamentar defende que é preciso dialogar com o governo, inclusive para defender os princípios evangélicos.

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Nos cálculos de Otoni, ele espera ter cerca de 50% dos votos e pontua que o maior desafio será fazer os deputados da bancada irem votar, uma vez que a eleição é no papel, ou seja, precisa que o deputado vá até o local da votação.

A deputada Greyce disse que sua candidatura está confirmada e que também faz a própria contagem de votos, mas não quis divulgar quantos  espera receber por “estratégia”.

“Estou otimista. Fazendo meu trabalho de pedir pessoalmente o voto a cada deputado”, respondeu a parlamentar ao Metrópoles.

Depois da publicação desta reportagem, o deputado Gilberto respondeu ao Metrópoles sobre a eleição. Ele se disse “animado”.

“Estamos animados. O trabalho foi feito, procuramos o maior número de deputados”, destacou.

Sobre a preocupação com o quórum de votantes, uma vez que esta semana é pré-Carnaval e o Congresso tende a ficar mais esvaziado, ele disse que não os candidatos não podem contar com os votos dos senadores, porque não há previsão de trabalhos no Senado nesta semana.

Dividida, bancada evangélica enfrenta eleição de líder sem favorito