Disputa por mandato-tampão no Rio reacende divergências no PT
Provável renúncia de Cláudio Castro abre caminho para eleição de governo temporário; comando do PT no estado defende foco em Eduardo Paes
atualizado
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Alas internas do PT do Rio de Janeiro voltaram a se dividir nas últimas semanas em meio às articulações em torno da provável eleição indireta que deve definir um mandato-tampão para substituir o governador Cláudio Castro (PL) no comando do estado.
O atual governador fluminense tem sinalizado a intenção de disputar uma vaga ao Senado, o que o obrigaria a renunciar ao cargo até abril deste ano. Castro não conta, no entanto, com um vice-governador — Thiago Pampolha deixou o posto ao assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
Pela legislação, em caso de vacância dos dois cargos, a nova gestão fluminense terá de ser definida por meio de eleição indireta, em uma votação entre os deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A regra prevê que a disputa tem de ocorrer 30 dias depois da saída do governador.
Parte da militância petista passou a defender, nas últimas semanas, que a legenda lance uma candidatura própria ao pleito. O movimento, porém, enfrenta resistência da ala que comanda o diretório estadual do partido, que avalia que o PT deve concentrar esforços nas eleições de outubro.
Petistas favoráveis à participação da sigla na disputa têm ventilado o nome do ex-presidente da Alerj e atual secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, André Ceciliano, como possível candidato à sucessão temporária de Cláudio Castro.
O campo pró-Ceciliano argumenta que uma eventual vitória do ex-presidente da Alerj poderia valorizar o capital político do partido e ajudar o PT a impulsionar a provável candidatura do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), ao governo estadual.
A ala contrária avalia, contudo, que a eleição de Ceciliano poderia aumentar a pressão interna para que o partido rompa a aliança com Paes e lance uma candidatura própria ao Palácio Guanabara nas eleições de outubro.
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), afirmou que, no momento, o partido precisa “conter danos” e evitar uma fragmentação ainda maior no estado. Principal representante da ala majoritária do PT fluminense, Quaquá também é pai do atual presidente estadual da sigla.
Cláudio Castro tem sinalizado que deve apoiar um de seus secretários na disputa pelo mandato-tampão. Entre os nomes ventilados estão Nicola Miccione, que comanda a Casa Civil; e Douglas Ruas, atual secretário de Cidades.
Quaquá defendeu que o PT e a esquerda fluminense não têm maioria dentro da Alerj para eleger um candidato próprio. Para ele, o partido deve priorizar o fortalecimento do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Paes no pleito de outubro.
“Estamos a serviço de Lula e Eduardo [Paes]. Não podemos fortalecer um nome para depois dobrar com Flávio Bolsonaro”, disse o prefeito à reportagem.
Mandato-tampão no governo do Rio
- Atual governador do Rio, Cláudio Castro deve renunciar até abril para disputar uma vaga ao Senado.
- Vice de Castro já havia renunciado para assumir cadeira no Tribunal de Contas do estado.
- Legislação prevê que, na ausência do governador e do vice, deputados estaduais devem eleger a nova gestão estadual.
- Cláudio Castro já sinalizou que deve apoiar nome do próprio gabinete.
- Alas do PT divergem entre lançar candidatura própria e escolher o “menos pior”.
As articulações em torno do nome de André Ceciliano levaram a direção estadual do PT a divulgar uma nota para desautorizar “manifestações individuais” que tentem “atrapalhar ou criar obstáculos” à reeleição de Lula e às alianças definidas pela direção nacional do partido.
“O PT não pode e não irá priorizar candidaturas e projetos individuais em substituição ao projeto coletivo do campo democrático representado pelas candidaturas do presidente Lula e de Eduardo Paes ao governo do estado”, afirma o documento.
Ao Metrópoles, o prefeito de Maricá afirmou que há “maioria absoluta” dentro do PT fluminense para barrar uma candidatura própria ao mandato-tampão. Procurado, o secretário André Ceciliano não se manifestou.








