Discrepância no registro de vacinados contra a Covid-19 de secretarias e ministério chega a 69,4%

Sistemas apontam diferença de mais de 600 mil pessoas imunizadas. Rastreamento é importante para ajustes durante a campanha nacional

atualizado 29/01/2021 9:08

Rio de Janeiro dá inicio a nova fase de vacinação contra a Covid-19 nesta quarta feira 27/01 na Clínica da Família Estácio de Sá.Aline Massuca/ Metrópoles

A vacinação no Brasil contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, entra nesta sexta-feira (29/1) no 12º dia. Contudo, o descompasso no número de pessoas imunizadas persiste entre os governos federal e estaduais.

Para se ter dimensão do problema, a discrepância chega a 69,4% entre o contabilizado pelas secretarias estaduais de Saúde e o Ministério da Saúde – que deveria centralizar as informações.

O painel de vacinação do LocalizaSUS, plataforma de transparência relacionada à pandemia, registra 354.365 doses aplicadas. Já as secretarias de Saúde notificaram 1.156.069 imunizações. Diferença de mais 800 mil pessoas.

A inconformidade pode ser ainda maior. Já que somente 14 unidades da Federação informaram dados atualizados até a conclusão do levantamento do Metrópoles. Todos os estados e o Distrito Federal foram questionados.

É consenso na comunidade médico-científica que a congruência dos dados é importante para evitar fraudes, planejar a distribuição de mais doses e monitorar as pessoas que receberam o imunobiológico.

Além disso, a ação é importante para que as autoridades sanitárias acompanhem o desempenho da campanha de vacinação no país.

Na hora da vacinação, os agentes de saúde podem cadastrar as informações no sistema de atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), no sistema de informação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) ou na plataforma do município ou do estado.

Defasagem

O cruzamento dos dados informados pelas secretarias de Saúde à reportagem com os registrados no Ministério da Saúde também apresenta diferença.

Um dos exemplos é o Rio Grande do Sul, que aparece em 2º lugar no ranking dos estados que mais vacinaram do LocalizaSUS. Segundo a plataforma do governo federal, foram aplicadas 39.715 doses. Porém, a plataforma local indica 122.890 pessoas vacinadas – 209% a mais.

O mesmo ocorre com Minas Gerais, que lançou nesta quinta-feira (28/1) o sistema de contabilização estadual. Lá, estão registradas 136.897 imunizações. Já no portal do Ministério da Saúde, 30.756 – diferença de mais de 100 mil pessoas.

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Preocupação

Para técnicos do Ministério da Saúde, é essencial que todos os dados sejam transferidos para um único sistema, o federal. Isso norteia ajustes na campanha como também a distribuição de doses neste momento em que o imunobiológico ainda está escasso.

Normalmente, no ato da vacinação, são anotados dados pessoais, como nome completo, profissão, sexo, data de nascimento. As informações são inseridas nos sistemas informatizados.

Nos estados

Em comum, os estados e o DF garantem que estão atualizando os dados diariamente em plataformas próprias e que os mesmos dados são repassados ao governo federal.

Algumas unidades da Federação, como Tocantins, Mato Grosso e Paraíba, não estão fazendo contagem paralela, mas informam o mesmo número destacado no sistema do Ministério da Saúde.

Em Goiás, o governo prepara um menu com dados sobre vacinação no Painel Covid-19 do estado. Lá, 19.690 pessoas foram vacinadas – mesmo número informado pela Secretaria de Saúde e pelo Ministério da Saúde. Porém, o Executivo goiano frisa: “Entretanto, estima-se que o número de vacinados no Estado seja bem maior”, destaca em nota.

Versão oficial

Segundo o Ministério da Saúde, o painel de vacinas aplicadas do LocalizaSUS é atualizado diariamente. Contudo, os dados de doses aplicadas e coberturas vacinais dependem de os estados e municípios alimentarem o sistema. Os estados de São Paulo e Rio Grande do Norte optaram por soluções próprias, mas devem informar ao governo federal o número de vacinados.

“Caberá aos gestores estaduais fazer o registro das doses aplicadas no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização ou em um sistema próprio que seja interligado com ele, por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)”, frisa em nota.

O ministério ressalta que o registro da dose aplicada da vacina será nominal e individualizado, garantindo o reconhecimento do cidadão vacinado pelo número do Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou do Cartão Nacional de Saúde (CNS), a fim de possibilitar o acompanhamento das pessoas vacinadas, evitar duplicidade de vacinação e identificar ou monitorar a investigação de possíveis eventos adversos.

“As salas de vacina que ainda não estão informatizadas ou não possuem uma adequada rede de internet disponível deverão realizar os registros de dados em formulários, para posterior registro no sistema de informação em até 48 horas”, salienta o texto.

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