Diretor de escola de samba do Rio sofre racismo em mercado: “Gerente me seguiu”

George Louzada foi perseguido pelo gerente do estabelecimento e teve sua bolsa verificada três vezes

atualizado 14/08/2020 12:42

Reprodução/Facebook

Mais um caso de racismo assombrou a rotina de um jovem negro, desta vez no Rio de Janeiro. O diretor da ala de passistas da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, George Louzada, relatou que foi vítima do preconceito em um supermercado, nessa quinta-feira (13/08).

Pelo perfil do Facebook, ele desabafou sobre o caso e contou que foi perseguido por um gerente, que chegou a vasculhar sua bolsa. No texto, ele afirmou que frequenta o local quase diariamente, por ser próximo à sua casa.

“Pois é, o gerente, um senhor branco, me seguiu por todo o mercado, parando em locais estratégicos para olhar o que eu estava pegando. Ousou passar por mim e olhar por três vezes dentro da minha bolsa para ver o que eu estava pegando, pediu ao segurança para me seguir (acredito eu que quando o segurança viu quem era, ele voltou ao seu posto original, na frente do mercado), até porque praticamente todos os dias ele me vê ali. Mas o ‘gerente’, não contente, continuou com o ato”, relatou.

Segundo a vítima, ele foi até o fim da loja para ver se o gerente ainda estava o perseguindo, fato que teria sido comprovado. O diretor pagou as compras com uma nota de R$100 e levou o comprovante fiscal para questionar o homem.

“Olhei para ele, eu me dirigi até o caixa, paguei minhas compras, peguei a nota fiscal. Entrei na loja e fui falar com ele. Nós somos acusados sem prova, somos cercados sem motivo, somos acuados. É isso que acontece conosco. O estabelecimento em questão é exatamente em frente à minha casa, onde eu entro praticamente todos os dias para comprar alguma coisa. Se eu parei o mercado? Parei, porque racismo e preconceito têm que ser expostos”, disse.

“Um mercado com 90% de seu quadro de funcionários pretos, ter uma atitude racista com um cliente é completamente insano. Não se permita passar por essas situações calados. Somos força, somos maioria, e seremos resistência sempre. Somos clientes, e eles precisam de nós, a massa”, finalizou. O coreógrafo alegou que pretende fazer um Registro de Ocorrência ainda nesta sexta-feira (14/08).

Diretor de escola de samba sobre racismo em supermercado no RJ

Em nota divulgada pelo Facebook, o Supermercado Multimarket, onde o ato ocorreu, se defendeu e disse que repudia o racismo e qualquer preconceito.

“A Rede de Supermercados Multi Market repudia qualquer forma de racismo e preconceito.Todos os seus funcionários durante a admissão são informados sobre o código de ética da Rede. Sabemos que um pedido de desculpas não basta, por isso já estamos tomando as devidas providências legais. Também nos colocamos a disposição do George para o que for necessário”, afirmou, no texto.

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