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Deputada que teve carro baleado afirma ter sido ameaçada por milícia

Segundo a parlamentar Martha Rocha (PDT), foram três ameaças recebidas pelo disque-denúncia em novembro de 2018

atualizado

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Martha Rocha pdt
1 de 1 Martha Rocha pdt - Foto: Reprodução/ Facebook

A deputada estadual e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegada Martha Rocha (PDT), que teve o carro atingido por tiros na manhã deste domingo (13/1), relatou que recebeu ameaça vinda de um grupo da milícia no início de novembro do ano passado. Segundo Martha, a ameaça chegou três vezes pelo disque-denúncia. Ela afirmou ter comunicado o fato às autoridades fluminenses na época.

A mensagem, de acordo com ela, dizia que um grupo pretendia atingir algumas autoridades, e o nome dela estava entre os alvos, “com letras garrafais”. “Falei pessoalmente, na ocasião, com o Rivaldo Barbosa (então chefe da Polícia Civil) e Gilberto Ribeiro (subchefe operacional) e pedi uma análise de risco para ver se aquele disque denúncia tinha fundamento ou não”, disse a parlamentar.

Conforme a delegada, depois desta reunião, Ribeiro lhe telefonou para oferecer escolta policial por um mês, mas ela recusou e afirmou querer apenas a apuração da denúncia. “Não recebi resposta do resultado dessa investigação”, afirmou. “Se houve ausência de cuidado, quem deve explicar são eles, até porque não sei qual foi a motivação desse fato (deste domingo)”, afirmou.

Martha ainda declarou que, quando era delegada titular, atuou na área de Campinho, que é dominada pela milícia, e que trabalhou na investigação destas organizações criminosas.

“Quem olhar a minha trajetória na Polícia Civil vai verificar que a questão da milícia não foi desconhecida da nossa administração, ou seja, nós sempre tivemos um radar para a apuração dos casos de milícia. A Polícia Civil inteira sabe que, na minha atuação como delegada, fui uma pessoa que enfrentou milícia. Eu, como chefe da Polícia Civil, não fechei os olhos para a atuação da milícia”, declarou.

De acordo com a deputada, depois da ameaça transmitida em 5 de novembro, ela comprou um carro particular blindado, pois o fornecido pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) não tinha esse equipamento. A blindagem não foi suficiente para lhe garantir segurança. Os estilhaços atingiram o seu motorista, um policial militar que lhe prestava serviços, no tornozelo.

Martha afirmou também que não reagiu durante toda a ação. Ela apenas tomou a medida de manter a sua mãe, de 88 anos, também presente no carro, abaixada. Eles haviam buscado a mãe da deputada, que mora no bairro, e seguiam para assistir a uma missa na Tijuca.

Segundo a delegada, ainda na Penha, seu motorista notou que um carro Celta de cor banca estava atrás, com um dos homens, vestido de preto, luvas também pretas e touca no rosto. De acordo com o relato da delegada, em determinado momento, o homem colocou-se com a metade do corpo para fora do carro, portando um fuzil. Pouco tempo depois, este carro fez disparos contra o seu, atingindo o tornozelo do motorista e duas rodas.

O celta perseguiu o carro da delegada até a altura da Avenida Brasil. Na via, o motorista conseguiu entrar em uma das ruas próximas e dirigir até o Olaria Atlético Clube, onde buscaram socorro. Os criminosos entraram em outra rua e fugiram.

Nota do MPRJ sobre o caso
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) divulgou na tarde deste domingo (13), uma nota oficial sobre o ataque sofrido pela deputada estadual, Martha Rocha (PDT), nesta manhã.

“O atentado configura-se num ato de extrema gravidade sobretudo por tratar-se, mais uma vez, de uma parlamentar, o que representa uma tentativa de intimidação e ameaça ao Estado Democrático de Direito. O MPRJ manifesta sua solidariedade à deputada e a seu motorista ferido e esclarece que acompanhará com rigor a condução das investigações policiais, a cargo da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, assim como coloca à disposição das autoridades do estado suas equipes de investigação para completa elucidação do caso da forma mais célere possível como exige a gravidade da situação.”

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