Defesa da ex-deputada Flordelis vai ao STF contra júri popular

Nesta quarta (24/11), julgamento de Flávio, filho biológico da pastora, o condenou a 33 anos de prisão por morte do pastor Anderson do Carmo

atualizado 25/11/2021 7:58

Reprodução

Rio de Janeiro – Mesmo sem estar no banco dos réus, a ex-deputada federal Flordelis dos Santos Souza foi a protagonista do julgamento de seu filho biológico Flávio dos Santos Rodrigues e do adotivo Lucas Cezar dos Santos Souza, que começou nessa terça (23/11) e terminou no dia seguinte. Acusado de ter atirado no padrasto, Flávio foi condenado a 33 anos de prisão, e Lucas recebeu pena de sete anos por ter comprado a arma do crime.

Para impedir que Flordelis tenha o mesmo destino dos filhos, Rodrigo Faucz, advogado da religiosa, disse que vai recorrer até ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão judicial de mandá-la, com outros nove réus, a júri popular – como ocorreu com os rapazes. “A defesa confia no Judiciário para que assegure, ao menos, um julgamento justo e respeitador das regras do Estado de Direito”, alegou o defensor.

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Flordelis está presa desde agosto, acusada de ser a mandante do assassinato do marido. O primeiro julgamento do caso envolveu só Flávio e Lucas, no 3º Tribunal do Júri de Niterói, Região Metropolita.

Depoimentos de testemunhas de acusação apontaram para a participação de Flordelis. Um dos filhos da cantora, Wagner Pimenta, o Misael, revelou que a mãe foi taxativa após morte de Anderson: “Aqui não tem luto”.

Os delegados Bárbara Lomba e Allan Duarte, responsáveis pela investigação da morte de Anderson, trataram a matriarca como “chefe de organização criminosa familiar”. A motivação seria o fato do pastor tomar a frente dos negócios da família, como o Ministério Flordelis, e também da carreira da pastora como cantora gospel.

“Ontem ficou demonstrado que toda a carga acusatória no decorrer do julgamento foi direcionada a Flordelis. Isso no intuito de reforçar uma pré-disposição contra ela na Comarca de Niterói”, afirmou Rodrigo Faucz, advogado da religiosa.

Família de pastor acha que foi feito justiça

De acordo o assistente de acusação, Ângelo Máximo, o pai adotivo do pastor morto, Jorge de Souza, aprovou a decisão do júri popular que puniu Flávio e Lucas. Jorge só acompanhou parte do julgamento por ter se sentido mal. “Para o pai dele foi feito justiça. Mas vamos avaliar se entraremos com recurso para aumentar a pena de Flávio”, declarou Ângelo Máximo.

A defensora pública Renata Tavares, que assiste Flávio, anunciou que recorrerá da decisão. “Ele confessou o crime na delegacia, mas apesar de um advogado ter assinado o depoimento, ninguém estava ao lado dele durante as declarações. O Brasil é signatário de tratados internacionais e, com base nisso, essa prova não poderia estar no processo”, alegou Renata Tavares.

Ao longo do julgamento, Flávio abriu mão de ser interrogado, momento em que também poderia se defender da acusação. Apesar de ter direito a convocar cinco testemunhas de defesa, não apresentou nenhuma.

Outro processo

O processo no qual Flordelis é ré com outros nove acusados ainda não tem prazo para ser julgado. A decisão que determina que ela seja levada a júri popular ainda passará pelo crivo do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo, como a defesa da pastora já anunciou.

Flordelis foi denunciada pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio duplamente qualificado, falsidade ideológica, uso de documento falso e organização criminosa. Ela está presa no presídio Talavera Bruce, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio.

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