Paulo Sérgio atuou para “demover” Bolsonaro, diz advogado
Ex-ministro da Defesa é apontado como o responsável por apresentar aos comandantes militares decreto de estado de defesa
atualizado
Compartilhar notícia

O advogado Andrew Fernandes Farias, que fez a defesa do ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira (foto em destaque), nesta quarta-feira (3/9), no plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o general atuou para “demover” o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de possíveis tentativas golpistas.
“Ele atuou ativamente para demover o presidente da República de qualquer medida nesse sentido”, argumentou o advogado.
Veja como foi o segundo dia de julgamento de Bolsonaro e mais 7 réus no STF:
“O receio do general Paulo Sérgio era que alguma liderança miltiar levantasse o braço e rompesse. O general Paulo Sérgio tinha a responsabilidade de ser o ministro da Defesa e honrar a memória de Caxias, da unidade das Forças Armadas, contra qualquer medida de exceção”, continuou.
Ao fim da fala do advogado, a ministra Cármen Lúcia, uma das integrantes da Turma, pediu para que Andrew esclaresse ao que tinha se referido quando falou sobre o ex-ministro ter demovido Bolsonaro.
“Vossa senhoria, eu copiei aqui, disse cinco vezes, que o réu, neste caso, o cliente de vossa senhoria, estava atuando para demover o presidente da República. Demover de quê? Porque até agora todo mundo diz que não pensou nada”, questionou Cármen.
“Demover de adotar qualquer medida de exceção”, respondeu Fernandes.
Paulo Sérgio Nogueira é apontado como o responsável por apresentar aos comandantes militares decreto de estado de defesa, redigido por Bolsonaro. O texto previa a criação de “Comissão de Regularidade Eleitoral” e buscava anular o resultado das eleições. Andrew negou a acusação e destacou que o general “era totalmente contrário a qualquer medida de exceção”.
Segundo dia de julgamento
O julgamento de Bolsonaro e de mais sete aliados ocorre na Primeira Turma do Supremo. Os cinco ministros da Turma analisam a ação penal sobre suposta trama golpista atribuída ao ex-chefe do Palácio do Planalto e aos outros sete réus que visou anular as eleições de 2022.
O grupo responde por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e privacidade de patrimônio tombado.
O núcleo 1, chamado de crucial, é composto por:
- Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência – Abin);
- Almir Garnier Santos (almirante e ex-comandante da Marinha);
- Anderson Torres (ex-ministro da Justiça);
- Augusto Heleno (general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional); Jair Bolsonaro (ex-presidente da República);
- Mauro Cid (tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, além de delator do caso);
- Paulo Sérgio Nogueira (general e ex-ministro da Defesa);
- e Walter Braga Netto (general da reserva e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa).
Veja datas e horários do julgamento
- 9/9 (terça) – das 9h às 12h/ das 14h às 19h.
- 10/9 (quarta) – das 9h às 12h.
- 12/9 (sexta) – das 9h às 12h/ das 14h às 19h.
