Decreto do Plástico: metas ambiciosas exigem investimentos

Especialistas veem com bons olhos a iniciativa do Governo Federal, mas alertam que deve vir acompanhada de investimentos aos catadores

atualizado

Compartilhar notícia

Oferecimento:
Oferecimento: Ambipar
Foto: Getty Images
plástico na agua
1 de 1 plástico na agua - Foto: Foto: Getty Images

O sistema de logística reversa de embalagens de plástico foi o foco de mais um decreto publicado, em outubro, pelo Governo Federal relacionado ao meio ambiente e à economia circular. O documento listou, entre outros pontos, uma série de metas à reciclagem de plástico e reutilização na fabricação de novos materiais.

Já em vigor, essa é a primeira iniciativa no Brasil para regulamentar a redução do volume de lixo plástico. Batizado como o Decreto do Plástico, o novo regulamento é tido como ambicioso por quem acompanha a construção das políticas há vários anos.

“São metas certamente ambiciosas, dado o quadro. E o Ministério do Meio Ambiente, durante as conversas anteriores à edição do decreto, já deixava claro que seria assim”, afirma Paulo Teixeira, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). “Há um entendimento de que essas metas podem ser alcançadas a partir da compreensão de que é necessária uma reestruturação de várias cadeias e que é preciso sentar para avaliar a política pública periodicamente.”

As metas citadas como ambiciosas por Teixeira são coletar e reciclar 32% de todas as embalagens e materiais plásticos descartáveis, como pratos, talheres, copinhos e canudos, em 2026, e até 2040, chegar a 50%; para a reutilização dos recicláveis na fabricação de novos plásticos, 22% já em 2026 e 40% até 2040.

“Essa é mais uma iniciativa positiva dentro dos esforços que estão sendo apresentados pelo Governo Federal a respeito da logística reversa, da economia circular. Deve vir também com um incentivo a quem compõe a cadeia, aos catadores”, pondera Antônio Januzzi, diretor técnico da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

A própria Abrema aponta uma das dificuldades para o cumprimento das metas do decreto, que surge 15 anos após a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Os levantamentos da entidade indicam que o total de material reciclado no Brasil, que é o 8º maior poluidor de plástico do mundo e o maior produtor da América Latina, não chega a 9%.

Para o presidente-executivo da Abiplast, os desafios postos a respeito do Decreto do Plástico estão bem postos. “Primeiro, a quantidade de lixões que ainda temos, que são reflexo de uma política de resíduos incipiente e cooperativas de reciclagem que sofrem para manter a sustentabilidade. Depois, a tributação, que tira a competitividade do reciclado em comparação com o plástico virgem. E por último, a falta de vinculação do consumidor com a decisão de compra consciente por um material que seja reciclado.”

Recircula Brasil

Diante do quadro, a Abiplast e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) desenvolveram recentemente a plataforma Recircula Brasil. A iniciativa foi apresentada durante a COP30 pelo Governo Federal como base para criação de uma empresa pública dedicada à gestão, certificação e padronização dos dados de reciclagem.

A estrutura entrega um monitoramento completo do ciclo dos materiais recicláveis, desde a origem da coleta até a reinserção na cadeia produtiva, com auditoria e transparência.

“Nós acreditávamos que o projeto daria certo não só para os plásticos, mas para toda a indústria. A Recircula Brasil dá garantia jurídica a quem pretende agir dentro do decreto e atesta o compromisso público das empresas”, explica Teixeira.

A plataforma já rastreou 50 mil toneladas de plástico reciclado em um ano e meio de operação e planeja chegar a outras 250 mil toneladas em 2026.

Ela ainda identificou 304 fornecedores de resíduos ou resina plástica com conteúdo reciclado, distribuídos em 11 estados brasileiros. Do total de material processado, 62,5% tem origem no comércio atacadista, 14,8% na indústria de transformação e 4,3% em cooperativas de catadores.

Com a criação da empresa pública federal, a expectativa é ampliar a certificação para outros setores, como alumínio, vidro, papelão e tecidos. A entrada do setor de alumínio já foi formalizada por meio de acordo com a Associação Brasileira do Alumínio (Abal), com previsão de certificação de 300 mil toneladas adicionais.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?