De Collor a Bolsonaro: 30 anos de eleições no Brasil em números

Dados do eleitorado, população e homicídios mudaram em três décadas. Problemas econômicos continuam, com foco na inflação e no desemprego

atualizado 15/11/2019 11:13

Arte Metrópoles

Há 30 anos o Brasil ia às urnas escolher pela primeira vez o presidente da República. Depois de 21 anos com militares no poder (1964-1985), em 15 de novembro de 1989 mais de 67 milhões de brasileiros votaram para eleger o chefe do Palácio do Planalto. Um século antes, no mesmo 15 de novembro, mas de 1889, era proclamada a República.

Fernando Collor de Melo saiu vitorioso do pleito pós-ditadura. À época, sem urnas eletrônicas e com um processo de apuração mais lento. Três décadas depois, o país, a política e a sociedade mudaram.

Morreram e nasceram outros capítulos da história nacional e internacional. Internet, novos blocos econômicos internacionais, potências, como a extinta União Soviética, mudaram de rumo. As eleições ocorreram após o nascimento da Constituição de 1988.

No Brasil, a economia continua sendo a principal força de tração da política. Em 1989, a hiperinflação era a pauta. Em 2019, o governo defende a necessidade de ajuste fiscal e tenta diminuir o desemprego, que afeta 12 milhões de brasileiros.

Para se ter dimensão das dificuldades financeiras do país em 1989, a inflação chegou a 1.972% ao ano. Para 2019, a estimativa dos economistas consultados pelo Banco Central por meio do boletim Focus é que o índice não alcance 3%.

Arte/Metrópoles

Na urnas, os números também mudaram. Na comparação do primeiro com o mais recente pleito para presidente, em 2018, o índice de votos nulos aumentou 177%, passando de 3,1 milhões para 8,6 milhões.

Na sociedade, também houve profundas modificações. A população passou de 146, 7 milhões para 210,1 milhões — crescimento de 43% entre 1989 e 2019.

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Acompanhando o aumento populacional, a taxa de homicídios também cresceu. Os casos passaram de 28.757 mil em 1989 para 51.589 em  2018 (dado divulgado em fevereiro deste ano). Alta de 79%, ignorando a comparação com o volume total de habitantes no país.

Sistema de votação
A urna eletrônica, alvo de desconfiança do presidente Jair Bolsonaro (PSL), teve sua trajetória iniciada em 1989. À época, eleitores de Brusque, em Santa Catarina, votaram pela primeira vez utilizando um computador, em caráter experimental, no segundo turno disputado entre Collor e Luiz Inácio Lula da Silva.

Naquele ano, os tribunais regionais eleitorais (TREs) foram, também pela primeira vez, interligados (mediante canal de voz e dados) a um computador central instalado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

Hoje, o processo de votação é totalmente digitalizado. Todos os eleitores votam na urna eletrônica. Bolsonaro defende que o voto impresso seria mais seguro e evitaria fraudes nos resultados. O TSE discorda.

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Proclamação da República
Nesta sexta-feira (15/11/2019), além dos 30 anos da primeira eleição direta pós-ditadura, a data também é marcada pela Proclamação da República — feriado nacional.

Na data, em 1889, os republicanos derrubaram os monarquistas. A forma como a abolição da escravatura ocorreu, em 1888, desagradou e enfraqueceu a corte. Políticos monarquistas foram presos e a família Real recebeu ordem para deixar o país.

Com isso, há 129 anos era extinto o Império do Brasil, banindo a monarquia constitucional parlamentarista e criando o Governo provisório republicano.

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