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Brasil

Crédito caro ainda é principal obstáculo para a indústria, aponta CNI

Juros foram citados por 76% das empresas que tiveram dificuldade para obter crédito de curto ou médio prazo

09/10/2026 04:30
Marc Hmeena/iStock/Getty Images Plus
Homem de gravata e roupa social empilhando peças com símbolos de porcentagem - Metrópoles

Os juros altos continuam sendo o principal obstáculo para as empresas industriais que tentam contratar ou renovar operações de crédito, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta sexta-feira (9/10).

Entre as empresas que tiveram dificuldade para obter financiamento de curto ou médio prazo, de até cinco anos, 76% apontaram as taxas de juros como uma das principais barreiras. No crédito de longo prazo, superior a cinco anos, o percentual foi de 68,9%.

Para a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, esse cenário pode ser explicado pelo ciclo contracionista dos juros imposto pelo Banco Central.

“A Selic iniciou o ano em 15% e, desde então, o Banco Central mantém uma postura bastante cautelosa nesse processo de corte dos juros. É importante lembrar que a queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”, disse.

A exigência de garantias reais aparece em segundo lugar entre as dificuldades para a obtenção de crédito. O item foi citado por 33,4% das empresas que tiveram problemas para contratar ou renovar financiamentos de curto ou médio prazo e por 31,5% das que buscavam operações de longo prazo.

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No crédito de curto e médio prazo, a burocracia foi a terceira dificuldade mais mencionada, com 13,6% das respostas.

Nas operações de longo prazo, o terceiro principal obstáculo foi o prazo de carência inferior ao considerado necessário pelas empresas, citado por 18,9%.

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No crédito de longo prazo, 54% das empresas não procuraram contratar ou renovar financiamento. O percentual das que conseguiram uma nova operação ou a extensão de uma já existente foi de 15,5%, enquanto 9,2% tentaram obter os recursos, mas não tiveram sucesso.

O levantamento também mostra que parte das empresas está recorrendo a financiamentos de longo prazo para cobrir despesas correntes.

Entre as companhias que buscaram, contrataram ou renovaram crédito de longo prazo, 28,7% apontaram o capital de giro como principal finalidade. O percentual ficou acima do registrado para investimentos em máquinas e equipamentos, de 23,6%, e construção ou instalações, de 11,6%.

“O capital de giro, em geral, é utilizado para bancar folha de pagamento, compra de materiais, insumos, entre outras despesas do dia a dia das empresas, e já é esperado que elas busquem crédito de curto prazo para essa finalidade. Porém, chama a atenção quando elas procuram crédito de longo prazo para esse fim, porque o crédito de maior maturação costuma servir para financiar investimentos em máquinas, equipamentos e edificações, por exemplo”, afirma Colusso.