Covid-19: Anvisa diz que liberação de vacina não terá influência política
O presidente Jair Bolsonaro travou uma guerra com o governador João Doria sobre a aquisição de doses da Coronavac, contra o coronavírus

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o contra-almirante Antonio Barra Torres, afirmou que não haverá influência política ou de qualquer outra natureza no processo de licenciamento de vacinas contra o novo coronavírus.
“O trabalho da Anvisa no caso de desenvolvimentos vacinais é um trabalho que já ocorreu, que foi anuir, ou seja, autorizar os protocolos. Uma vez feita a anuência, vamos acompanhá-los e trabalhar para a concessão do registro daqueles que forem solicitados. Esse processo não pode sofrer alteração, influência ou ação que não da ciência e apego à boa técnica”, disse Torres.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasEle evitou comentar o embate entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, referente à compra de vacina por parte do governo federal.
Antônio Barra Torres disse ainda que não cabe à agência adiantar posições ou análises sobre as vacinas nem apresentar previsões de calendário ou de quando uma substância estará disponível à população. Ele disse também que para o órgão, pouco importa a origem da vacina e sim, os métodos e critérios utilizados em sua produção.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Anvisa não participa de compra feita pelo governo de medicamento ou insumo. As políticas públicas são do MS. Para nós pouco importa de onde vem a vacina. Nosso dever é fornecer a resposta se produtos induzem ou não à imunidade e se vai combater o coronavírus”, observou.
Disputa política
Nessa terça-feira (20/10), o ministro da Saúde assinou protocolo de intenção e comunicou governadores sobre a aquisição de 46 milhões de dose da vacina Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech, para imunização contra o novo coronavírus.
Após o anúncio, no entanto, Bolsonaro desautorizou Pazuello e afirmou que mandou cancelar a assinatura do protocolo.
A declaração foi dada em Iperó, no interior paulista, onde o chefe do Executivo cumpre agenda nesta quarta-feira (21/10).
Segundo Bolsonaro, “houve uma distorção” por parte de João Doria no entendimento do governador sobre o protocolo de intenções. “Já mandei cancelar, se ele assinou. O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade, até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessado por ela, a não ser nós”, frisou.



