Coronavírus: MP denuncia Marcos Zheng por receber testes roubados

Além do presidente da Associação Shangai no Brasil, outros 15 são acusados também pelo crime de associação criminosa

atualizado 25/04/2020 19:08

A promotora de Justiça Yolanda Alves Pinto Serrano de Matos denunciou Zheng Xiao Yun, o Marcos Zheng, e outros 15 alvos de operação da Polícia Civil de São Paulo que apreendeu 15 mil testes de coronavírus no dia 11. A eles, são imputados os delitos de receptação e associação criminosa. Investigadores suspeitam de que a carga teria sido desviada no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

O grupo foi preso em flagrante durante ação da Polícia Civil. Infiltrado, um delegado se passou por interessado na carga, e acertou o valor de R$ 3 milhões pela venda dos testes de coronavírus. Também foram apreendidas armas de grosso calibre. Comparando os preço pago pela importadora, e o pedido inicial dos investigados pela carga, de R$ 4 milhões, o lucro seria de 5.000% para o crime. O Estado obteve acesso à investigação e revelou detalhes sobre o caso.

No dia seguinte à ação, a Justiça decretou a prisão preventiva de 14 investigados. Ao fazer a denúncia, a Promotoria pede que mais dois investigados. Um fugiu do local no dia do flagrante. Também já foi determinado que parte do material apreendido seja destinada a hospitais públicos e delegados de Polícia.

Além da denúncia, o Ministério Público Estadual de São Paulo pediu a abertura de uma nova investigação sobre o crime de lavagem de dinheiro. Os investigadores suspeitam da compra, por R$ 1,1 milhão, de máscaras e equipamentos de proteção, feita por Fu Zihong, amigo de Marcos, no Armarinhos Fernando – loja tradicional da 25 de Março, em São Paulo.

Segundo a promotora, os investigados ‘explorarem financeiramente crise global’ do coronavírus e ‘mantinham um galpão, localizado na Rua Cipriano Barata, 2305, Ipiranga’, com o escopo de receber, ocultar, armazenar e expor à venda’ os produtos, ‘parte dos quais de origem ilícita’. “Produtos estes que eram livremente negociados no local, mesmo após a prisão em flagrante dos acusados”.

“Zheng é o proprietário do imóvel e o cedeu para as práticas delitivas ora descritas; juntamente com Fu, comandavam a ação criminosa, delegando funções aos demais denunciados. Ambos mantinham escritório no imóvel onde eram realizadas as práticas ilícitas. Inclusive, o local era sede das empresas de Zheng, além da associação por ele presidida”, diz a Promotoria.

Segundo a Promotoria, o sargento aposentado do Exército, Paulo Sérgio Perniciotti, e o cabo afastado da PM Cleber Marcelino da Silva ‘eram os responsáveis pela segurança armada do galpão e dos outros comparsas, atuando para garantir as negociações e a proteção dos produtos ilícitos ali mantidos’.

“Ainda, contavam com o apoio de Leandro Manoel da Silva, tanto para a segurança armada quanto para o fornecimento de armamentos utilizados nas empreitadas delituosas praticadas pela associação criminosa”, diz a acusação.

“Os acusados Marcelo Martins da Silva, Kawe Mycon Brito dos Santos, Hilmar Jose Duppre Júnior, Antonio Ricardo dos Santos Lima, João Rodolfo Rodrigues da Silveira, Alex Liberto Santos e Flávio Porto Alencar eram responsáveis por angariar compradores para os produtos ilícitos, oferecendo-os (inclusive pela Internet) e intermediando as negociações, além de receber os clientes, triando-os, e encaminhá-los até o imóvel onde as mercadorias eram armazenadas”, sustenta.

Dagoberto da Silva Tomo, Lanfen Zong e Wu Wang, também denunciados também são apontados como intermediários da venda do material. Eles foram presos dentro do imóvel de Zheng, quando 14 foram detidos em flagrante durante a negociação. Zhang Ruifeng morava no local, era amigo de Marcos Zheng, e também foi preso e denunciado.

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