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Brasil

Contas do governo registram déficit de R$ 13,6 bilhões em agosto

Dados sobre as contas do governo central foram divulgados nesta terça-feira (29/9) pelo Tesouro Nacional

29/09/2026 10:27
Michael Melo/Metrópoles
Contas do governo registram déficit de R$ 13,6 bilhões em agosto

As contas do governo central — Tesouro Nacional, Banco Central (BC) e Previdência Social — registraram déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto de 2026.

Os dados fazem parte do Relatório do Tesouro Nacional (RTN), divulgado nesta terça-feira (29/9).

  • Déficit é quando um governo tem mais despesas do que receitas, superávit é quando acontece o contrário.
  • Resultado real é ajustado por um índice de inflação, resultado nominal é o valor bruto, sem ajustes inflacionários.

No mesmo mês de 2025, foi observado um déficit de R$ 15,5 bilhões (em valores não corrigidos pela inflação). O resultado primário do Governo Central acumulado em 12 meses foi de déficit de R$ 68,7 bilhões, equivalente a 0,53% do Produto Interno Bruto (PIB).


Entenda as contas do governo central

  • Um superávit primário ocorre quando as receitas têm saldo maior do que as despesas, sem contar os juros. O déficit primário ocorre quando esse resultado é negativo. Juntos, eles formam o “resultado primário”;
  • No acumulado de 2025, o governo central teve déficit primário de R$ 13 bilhões (descontadas as deduções R$ 48,6 bilhões) — equivalente a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB);
  • Mesmo com o resultado negativo, a meta fiscal de 2025 foi cumprida;
  • A meta do governo federal para 2026 é de superávit fiscal de 0,25% do PIB (R$ 34 bilhões).

Em relação ao resultado acumulado no período de janeiro a agosto de 2026, o Governo Central registrou um déficit de R$ 94,8 bilhões, frente a um déficit de R$ 85,8 bilhões em 2025.

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Em termos reais, a receita líquida apresentou em agosto um aumento de 3,5% e a despesa total registrou uma alta de 1,9% em 2026, quando comparadas ao mesmo período do ano anterior.

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O resultado parcial deste ano (janeiro a agosto) decorreu de um superávit de R$ 182,8 bilhões do Tesouro e déficits do Banco Central (R$ 684 milhões) e da Previdência Social (R$ 277 bilhões).

Receitas e despesas

Em agosto de 2026, a receita total apresentou aumento de R$ 13,1 bilhões (5,7%). Segundo o Tesouro, o aumento da receita total no mês foi explicado, em grande medida, pelo desempenho das receitas administradas pela Receita Federal (RF). Os principais destaques foram:

  • Imposto de Importação – aumento de R$ 1,6 bilhão;
  • Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – aumento de R$ 1,6 bilhão;
  • Cofins- aumento de R$ 1,9 bilhão;
  • Outras Receitas Administradas pela RF – aumento de R$ 2,8 bilhões;
  • Arrecadação Líquida para o Regime Geral da Previdência Social (RGPS) – aumento de R$ 3,9 bilhões;
  • Dividendos e Participações – redução de R$ 1,4 bilhão;
  • Exploração de Recursos Naturais – aumento de R$ 2,9 bilhões.

No acumulado do ano, a receita total apresentou elevação de R$ 112,4 bilhões (5,7%), enquanto a receita líquida apresentou elevação de R$ 90 bilhões (5,7%) em termos reais em comparação com o ano anterior.

Essa variação, segundo o tesouro, decorre principalmente do efeito conjunto de:

  • Imposto sobre a Renda – aumento de R$ 19,6 bilhões;
  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) – aumento de R$ 13,1 bilhões;
  • Cofins– aumento de R$ 14,2 bilhões;
  • Outras Receitas Administradas pela RF – aumento de R$ 19,1 bilhões;
  • Arrecadação Líquida para o RGPS – aumento de R$ 29,1 bilhões;
  • Dividendos e Participações – redução de R$ 15,8 bilhões;
  • Exploração de Recursos Naturais – aumento de R$ 17,9 bilhões.

Com relação as despesas, em agosto, contra mesmo mês de 2025, houve uma aumento de R$ 3,7 bilhões (1,9%) em termos reais:

  • Benefícios Previdenciários – aumento de R$ 2,7 bilhões;
  • Pessoal e Encargos Sociais – redução de R$ 1,2 bilhões;
  • Créditos Extraordinários – aumento de R$ 1,3 bilhões;
  • Demais – aumento de R$ 4,9 bilhões;
  • Discricionárias – redução de R$ 5,6 bilhões.

No acumulado do ano, a despesa total apresentou elevação de R$ 96,3 bilhões (5,7%) frente ao mesmo período do ano anterior.

As principais variações foram:

Benefícios Previdenciários – aumento de R$ 29,3 bilhões
Pessoal e Encargos Sociais – aumento de R$ 15 bilhões
Créditos Extraordinários – aumento de R$ 10,6 bilhões
Discricionárias – aumento de R$ 35,8 bilhões

Meta fiscal de 2026

A meta fiscal do governo federal para este ano é um superávit de 0,25% do PIB (R$ 34 bilhões). Ou seja, a sobra de R$ 34 bilhões na diferença entre receitas e despesas.

No entanto, há uma tolerância de 0,25 ponto percentual. Com isto, o resultado é considerado cumprido se a diferença entre a arrecadação e as despesas for igual a zero ou se houver um superávit de até R$ 68 bilhões.

Meta fiscal para os próximos anos:

  • 2027: superávit de 0,50% do PIB (R$ 70,7 bilhões);
  • 2028: superávit de 1% do PIB (R$ 150,7 bilhões).