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Comunidade LGBT ganha cada vez mais força na agricultura familiar

Representantes da comunidade LGBT estão assumindo o comando de produções agrícolas, uma das bases da economia do país

atualizado

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Foto colorida dos produtores rurais Allan e Ilton - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida dos produtores rurais Allan e Ilton - Metrópoles - Foto: Arquivo pessoal

A agricultura familiar é um dos principais setores da economia brasileira e, como outras categorias, conta com a presença cada vez maior de representantes da comunidade LGBT. O Metrópoles conversou com produtores rurais gays que falam sobre as dificuldades e preconceitos que enfrentam no seu cotidiano na produção rural.

O Brasil é reconhecido internacionalmente pela sua produção rural, seja na área da agricultura ou na pecuária. A ampla área de cultura e clima favorável permite que a produção de alimentos se diversifique e com ela os seus produtores também.

Estudante de agronomia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e gay assumido, Allan Fernandes, de 21 anos, nasceu em Três Forquilhas, no interior do estado gaúcho, e cresceu dentro do ambiente da agricultura familiar.

“Como profissionais LGBTs no campo, nossos desafios são diversos e mais profundos. Além de acordar cedo, lidar com os animais, produção, logística entre outros aspectos profissionais ligados à assistência técnica ou demais serviços, a gente fica na defensiva em diversos momentos por ter medo de não ter participação igual nos processos comunitários”, conta Allan.

O estudante de agronomia trabalha ao lado da mãe, Sueli Fernandes, em uma propriedade que produz banana orgânica e açaí juçara em um sistema agroflorestal. Ele conta que a comunidade LGBT ainda tem receio de sofrer preconceitos ao se assumir junto aos outros produtores.

“A gente não se sente seguro suficiente para viver uma relação amorosa e construir uma família própria no campo, na angústia de ser alvo de homofobia ou ainda de ser despejado de casa, ser vítima de violência, sofrer ameaças de morte, entre outras angústias que pessoas LGBTs passam”, afirma o estudante.

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O engenheiro agrônomo Ilton Rodrigues Faleiro Junior, de 33 anos, tem um sítio em Planaltina de Goiás onde cultiva pitaia, também conhecida como fruta-do-dragão. Ele é casado há oito anos com Thiago Rodrigues e juntos já lidaram com diferentes trabalhos dentro do meio rural.

“Assim como qualquer outra área, acho que a do campo vai exigir um pouco mais de quem não tiver habitualidade com isso [preconceito]. Por mais que a gente tente combater o preconceito, não levo isso para a minha vida, mas tento responder à altura”, diz Ilton Junior.

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Preconceito velado

“Já escutei muitas expressões que incomodam a existência da gente, no meu caso a mim”, relembra Allan Fernandes. O estudante de agronomia enxerga um preconceito mais velado, em que as pessoas fazem piadas sobre a comunidade LGBT, mas ele tenta não se afetar com isso.

“Posso dizer que diretamente para mim as piadinhas, expressões maliciosas, dizem muito mais sobre as pessoas do que sobre nossa comunidade. Sempre se escuta um burburinho ou outro atrás das paredes”, ressalta.

Já Ilton diz que, assim como outras profissões, o trabalho no campo ainda enfrenta resistência para a entrada de pessoas LGBTs, mas afirma que é necessário enfrentar os medos e combater o preconceito. “Não ter medo de preconceito, não ter medo de julgamento, não ter medo de piadinhas que sempre vão existir, mesmo que a gente queira que isso não exista”, conta.

Para continuar no trabalho rural, Ilton Junior reforça que é importante ignorar comentários e opiniões que tentam desmerecer o trabalho da comunidade LGBT na produção de alimentos. “Se for ouvir a opinião de todo mundo, ninguém consegue entrar nem no meio agrícola e nem outro meio.”

Espaço conquistado aos poucos

De acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 2022, há cerca de 2,9 milhões de pessoas que se declararam homossexuais ou bissexuais no Brasil. O número representa 1,8% de toda a população adulta, maiores de 18 anos.

Os estados que contam com o maior percentual de representantes da comunidade LGBT no país são o Distrito Federal, Amapá e Rio de Janeiro.

Por outro lado, a produção agrícola brasileira se concentra em Mato Grosso, Paraná e São Paulo, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Dessa forma, os produtores da comunidade LGBT têm ganhado o seu espaço aos poucos dentro de um dos principais setores da economia do país.

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