Comissão para inquérito do Master foi implantada com atraso pelo BC

Diretoria, por lei, deveria abrir procedimento imediatamente após liquidação ocorrida em novembro, mas ato foi tomado só na quarta (18/2)

atualizado

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A nomeação dos servidores pelo Banco Central (BC) para proceder o inquérito nas instituições do conglomerado do Banco Master foi realizada três meses após a liquidação extrajudicial da instituição financeira. No entanto, a legislação determina que o inquérito deve ser aberto “imediatamente” após a decretação da liquidação extrajudicial.

Cinco servidores foram nomeados para a função na última quarta-feira (18/2). A medida foi formalizada pelo “ato de diretor” de número 695 e assinada pelo diretor de regulação do Banco Central, Gilneu Francisco Astolfi Vivan.

A indicação dos servidores foi feita no aniversário de três meses da liquidação do Banco Master e de outras três instituições do conglomerado, medida tomada em 18 de novembro de 2025. A legislação, porém, estabelece que o inquérito deveria ter sido aberto “imediatamente” após a liquidação, conforme previsto no art. 41 §  2º da Lei º 6.024 de 13 de março de 1974.

“O inquérito será aberto imediatamente à decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial, ou ao recebimento da comunicação da falência, e concluído dentro em cento e vinte dias, prorrogáveis, se absolutamente necessário, por igual prazo”, diz o trecho da lei.

Ao Metrópoles, o Banco Central explicou que o ato da diretoria do BC foi tomado respeitando “previsões legais”.

“O Banco Central deu início ao ato respeitando as previsões legais. Adotou medidas preparatórias indispensáveis como, por exemplo, identificação e escolha dos membros, verificação das disponibilidades, preparação do processo, aprovação e designação da comissão de inquérito, publicação de portaria etc”, diz trecho da nota.

O BC complementou que, geralmente, processos semelhantes acabam levando o mesmo tempo para definição.

“O prazo não foge da média histórica do prazo de instauração de processos da mesma natureza”, argumentou a autoridade financeira.

Por lei, o inquérito do BC pode:

  • “examinar, quando e quantas vezes julgar necessário, a contabilidade, os arquivos, os documentos, os valores e mais elementos das instituições”;
  • colher depoimentos, inclusive, com apoio da polícia;
  • demandar informações de outras autoridades públicas;
  • examinar autos de falência;
  • verificar a “contabilidade e os arquivos de terceiros com os quais a instituição financeira tiver negociado e no que entender com esses negócios, bem como a contabilidade e os arquivos dos ex-administradores, se comerciantes ou industriais sob firma individual, e as respectivas contas junto a outras instituições financeiras”;
  • há a previsão ainda que os ex-administradores possam acompanhar o inquérito e contribuir com a oferta de documentos, além de indicar diligências.

O BC deve encerrar o inquérito com um relatório da situação das instituições analisadas, como causas da liquidação e possível responsabilidade de pessoas físicas nos últimos cinco anos, inclusive com estimativa dos prejuízos.

A comissão do inquérito será presidida pela servidora Márcia Kiyoka Ideo e terá como relatores os seguintes membros: Carlos Damião Prolo Júnior, Cláudio Carvalho, Ramiz Rached El Hayek e Roberto Simone Maciel Júnior.

A liquidação

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em 18 de novembro de 2025. Naquele dia, as instituições Banco Master S.A., Banco Master de Investimento S.A., Banco Letsbank S.A. e Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, integrantes do conglomerado também foram liquidadas.

Também no dia 18, o Banco Central determinou a aplicação do Regime de Administração Especial Temporária (Raet) no Banco Master Múltiplo S.A. e nomeou para executar a administração especial temporária, com plenos poderes, a EFB Regimes Especiais de Empresas LTDA.

As medidas contra o Master foram tomadas por suspeitas de que a instituição criava e tentava vender carteiras de crédito e fundos falsos, sem lastro. O montante chegaria a R$ 12 bilhões. A defesa do banqueiro nega haver irregularidades.

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