Com Onyx enfraquecido, Bolsonaro afasta núcleo duro da campanha

O presidente tratou de esvaziar a pasta, tirando do ministro-chefe da Casa Civil a gestão do Programa de Parceria de Investimentos

atualizado 30/01/2020 17:39

Marcos Corrêa/PR

Com o enfraquecimento do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fica próximo da retirada de todo núcleo duro da campanha em 2018 da chamada “cozinha do Planalto”.

A queda de Onyx passou a ser especulada após as idas e vindas da demissão do assessor José Vicente Santini, antigo número dois da pasta, depois da notícia de que ele teria usado um jato da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar da Suíça, onde participou do Fórum Econômico Mundial, em Davos, até a Índia, país no qual se encontraria com o chefe do Excecutivo e a comitiva.

Após o episódio, o mandatário da República tratou de esvaziar a pasta, tirando de Onyx, que estava de férias, a gestão do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), função repassada para o Ministério da Economia.

Onyx se reelegeu deputado federal e foi um dos mais presentes na campanha de Bolsonaro, ao lado do advogado Gustavo Bebianno, defenestrado da Secretaria-Geral da Presidência da República, em meio a uma disputa com o filho do presidente Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) pelo controle da comunicação do governo.

Outra figura presente na campanha foi o ex-senador Magno Malta, que esperava coordenar a pasta de Direitos Humanos do governo, mas não chegou a ser nomeado. Acabou preterido e tendo a assessora no Senado nomeada para a área: a atual ministra Damares Alves.

Outra figura da campanha que não consta mais na lista de relações de Bolsonaro é o presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), partido pelo qual Bolsonaro se elegeu e que deixou após uma crise envolvendo insultos a Bivar e uma briga pelos recursos do fundo eleitoral da legenda.

Nessa crise, Bolsonaro também rompeu com a fiel escudeira, tanto na campanha quanto na relação com o Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), que chegou a ser líder do governo, mas sucumbiu em meio a ataques patrocinados pelos filhos do presidente nas redes sociais.

Integrantes do DEM, partido de Onyx, se mostraram reservados em falar da fritura do ministro enquanto ele estava de férias e de sua possível substituição por outro membro da sigla, o ex-deputado Alberto Fraga (DF), amigo pessoal de Bolsonaro e que já esteve prestes a assumir outros cargos no governo, no entanto, ainda sem sucesso.

“O presidente tem toda liberdade para fazer o que quiser e o DEM não tem nada a ver com isso”, disse o ex-deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), que assumiu dois cargos durante a gestão de Bolsonaro: o de assessor especial do Ministério da Saúde e o de conselheiro da Itaipu Binacional, usina hidrelétrica que pertence ao Brasil e ao Paraguai.

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