Com mais mortes, 2ª onda teve 34,4% menos servidores federais em trabalho remoto

Número de servidores federais de grupo de risco em teletrabalho caiu expressivamente durante o aumento de casos e mortes de Covid-19

atualizado

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Hugo Barreto/Metropoles
Coletiva de imprensa no Ministério da Saúde
1 de 1 Coletiva de imprensa no Ministério da Saúde - Foto: Hugo Barreto/Metropoles

Quando a pandemia de Covid-19 teve início, ainda no ano passado, o trabalho remoto foi adotado nas áreas em que foi possível – tanto no serviço público quanto no privado. A nova rotina laboral visava instituir o distanciamento social e, assim, diminuir a possibilidade de disseminação do vírus.

Após o pico da primeira onda de Covid-19, empregadores relaxaram algumas das medidas de distanciamento social – e no governo federal não foi diferente. Parte dos servidores públicos começaram a voltar ao trabalho presencial. Com o início da segunda onda da doença, entretanto, eles não voltaram ao regime remoto.

A consequência é que, mesmo com recordes de mortes por Covid-19 sendo superados recorrentemente durante a segunda onda, havia menos servidores federais em home office do que no primeiro pico de óbitos pela doença. A reportagem se baseia em material disponibilizado pelo Ministério da Economia, e avaliado pelo (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles. Os documentos coletados contabilizam trabalhadores que integram o grupo de risco e que estão trabalhando de casa.

O gráfico a seguir mostra a quantidade de servidores que adotaram o regime de trabalho remoto, por conta da pandemia de Covid-19, desde outubro de 2020, quando o dado começou a ser disponibilizado.

Conforme dados apresentados, a quantidade de servidores federais listada como em modalidade de teletrabalho por conta da pandemia caiu de 87,5 mil, em outubro de 2020, para 49,7 mil, em janeiro deste ano – uma redução de 43,2%.

O movimento segue, com alguma defasagem, a média semanal de mortes por conta da Covid-19 em todo o país, que permaneceu acima de mil, entre junho e agosto do ano passado, e começou a cair em seguida, até atingir seu ponto mais baixo em 11 de novembro de 2020, quando foi de 329.

A quantidade de óbitos diários em decorrência da Covid-19 no Brasil voltou a crescer no fim de 2020, e atingiu novamente o patamar de mil vidas perdidas para a doença a cada 24 horas, nos últimos dias de janeiro deste ano. Um mês depois, na última quinzena de fevereiro, essa média dispara e sobe até atingir um pico de 3 mil mortes por dia, no início de abril.

Apesar da explosão na quantidade de mortes, o número de servidores registrados como em trabalho remoto por conta da pandemia pouco cresceu no mesmo período, com o retorno de poucos funcionários ao home office. Esse índice passou de 49,7 mil, em janeiro, para 57,4 mil, em maio. A alta foi de menos de 8 mil servidores, ou 15%. Se considerado o pico de outubro de 2020, entretanto, houve queda de 34,4%.

Para o epidemiologista e chefe da sala de situação da Universidade de Brasília (UnB) Mauro Sanchez, com a queda de mortes entre as duas ondas da doença no Brasil, houve, precocemente, “o afrouxamento das medidas de restrição de mobilidade e de atividade econômica pelos gestores”.

“Nesse caso, a mensagem, mesmo que indireta, que é passada para a população, é que a normalidade está voltando”, o que, por sua vez, pode “causar o relaxamento em nível individual”, analisa.

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