CNBB diz que não se calará diante de ataques à democracia

Secretário-geral da confederação afirmou que representante da Igreja Católica no país quer analisar atitude de Bolsonaro ao divulgar vídeo

atualizado 26/02/2020 12:43

O secretário-geral da Confederação dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Joel Portella Amado, disse que a instituição que representa a cúpula da Igreja Católica no Brasil pretende analisar a atitude do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de divulgar um vídeo no qual chama apoiadores para manifestação no próximo dia 15, em apoio ao governo.

Segundo o bispo, a igreja não se calará diante de uma possibilidade de afronta à democracia por parte do presidente.

“Se nós queremos defender a vida, nós precisamos defender o diálogo e a democracia. Isso é CNBB, isso é Igreja, isso é evangelho. Ainda que haja inúmeras possibilidades, de uma coisa nós não podemos abrir mão. Uma delas é a vida. A segunda, como consequência, é a defesa da democracia, que implica no equilíbrio sadio dos três Poderes”, indicou Dom Joel Portella, após o lançamento da Campanha da Fraternidade 2020, cujo tema é a compaixão.

Dom Joel Portella afirmou que ainda não teve oportunidade de analisar o vídeo e a atitude do presidente. A CNBB também deverá dialogar com entidades que, tradicionalmente, são parceiras, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), antes de decidir se tomará alguma posição.

“A atitude do presidente da República, ontem [terça-feira, 25/02/2020], faz parte daquele conjunto de situações que eu não tive ainda condições de olhar com calma”, enfatizou.

“A igreja é sempre a favor da vida e, dentre as condições para que a vida seja preservada, existe a corresponsabilidade de cada cidadão e a responsabilidade daqueles que pelo voto foram investidos”, comentou. “Dentro disso, a democracia é condição para a preservação da vida em todas suas instâncias. A igreja estará apoiando as inciativas que preservem a democracia, qualquer outra, nós precisaríamos ouvir, conhecer e até, quem sabe, interpelá-las”, completou o secretário-geral.

Diálogo
A atitude de Bolsonaro ocorre em um momento em que a nova diretoria da CNBB toma posse e começa a abrir um diálogo com o governo, capitaneado pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. A chefe da pasta se reuniu com a entidade para propor parcerias em projetos na área de preservação da vida.

Dom Joel Portella garantiu que o canal de diálogo continua aberto com o governo, embora ainda não se tenha desenhado nenhum projeto a ser tocado em conjunto. “Faz parte da longa tradição da CNBB, de mais de seis décadas, dialogar sempre. Foi uma conversa muito fraterna na qual se disse as preocupações da CNBB. Ela [Damares] apresentou as preocupações do governo, uma descrição geral desse quadro de vida ameaçada”, citou.

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