Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

CNBB cria grupo de trabalho para discutir IA e a "Igreja do futuro"

Bispos querem discutir como as novas tecnologias podem ser incorporadas à atuação da Igreja Católica no Brasil

23/09/2026 18:03
Fiama Tonhá
Cúpula da CNBB participa de café com imprensa

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criou um grupo para discutir o avanço da inteligência artificial (IA) e avaliar como as novas tecnologias podem mudar a atuação da Igreja Católica no país.

Segundo o secretário-geral da entidade, dom Ricardo Hoepers, uma das questões que estarão no centro das discussões é como será a “Igreja do futuro”.

O bispo falou sobre o assunto nesta quarta-feira (23/9), durante um encontro da CNBB com jornalistas, em Brasília. A proposta, segundo ele, é discutir desde o uso de IA até, por exemplo, mudanças na catequese e na forma como a Igreja utiliza a internet.

“Ainda somos analógicos no geral. A ideia é colocar o assunto em pauta, discutir como vai ser a catequese do futuro, a igreja do futuro, como vamos usar a internet, a inteligência artificial”, disse.

Dom Ricardo explicou que os bispos já recebem análises sobre temas sociais e sobre questões internas da Igreja. O novo grupo acrescentará às discussões uma leitura específica sobre inteligência artificial e outras tecnologias emergentes.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Estamos também felizes, que agora estamos criando um novo grupo, que é para a inteligência artificial, a partir do que o Papa Leão XIV está também nos proporcionando. A ideia é que tenhamos uma análise de conjuntura a partir das tecnologias emergentes de modo que também possamos projetar as nossas ações tendo em vista esta nova realidade que está surgindo”, afirmou.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Composição do grupo criado pela CNBB

O grupo de trabalho deve auxiliar a CNBB nas discussões sobre impactos, riscos e possibilidades abertas pela inteligência artificial.

A coordenação está a cargo do bispo de Campo Limpo (SP), dom Valdir José de Castro. O GT também reúne acadêmicos, professores e especialistas de diferentes áreas.

A discussão acompanha uma preocupação que já aparece no pontificado de Leão XIV. Na encíclica Magnifica Humanitas, o papa dedica uma parte do documento aos limites da tecnologia e à preservação das relações humanas diante do avanço desses sistemas.

Leão XIV afirma que a IA pode imitar comportamentos e até reproduzir formas de comunicação que parecem humanas, mas ressalva que essas ferramentas “não compreendem o que produzem”.

O papa também escreve que o desenvolvimento tecnológico não deve levar à substituição da própria experiência humana.

“A humanidade – magnífica e ferida – não deve ser substituída nem superada”, diz.